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Category : Ilumne

COMO SER MAIS PRODUTIVO?

Ter hábitos saudáveis e producentes, além de entender como o cérebro funciona, pode aumentar a sua produtividade

1- Organize o seu dia

Você pode fazer isso no mesmo dia bem cedinho ou no dia anterior e repassar depois do café da manhã. O importante é que, para ser mais produtivo, você tem que saber o que precisa ser feito e quanto tempo pode perder com cada tarefa. Um planejamento diário ajuda muito nesse sentido, ao listar tudo que necessita fazer, o que é urgente e o que pode esperar, é possível identificar (ou pelo menos ter uma boa ideia) se você dará conta de tudo, se precisará delegar, pedir ajuda, modificar seus planos. Ter um planejamento também ajuda a diminuir a ansiedade, a insegurança de não dar conta e potencializa sua ação. O ideal é ter um planejamento de mais longo prazo – semanal, quinzenal ou mensal – e um planejamento diário.

2 – Planeje atividades desafiadoras para seu período mais produtivo

Não é legal desperdiçar seu período de maior produtividade no dia com atividades banais ou fáceis, como ler e-mails, limpar a caixa de correio etc. Deixe seu melhor período de produção, aquele que você tem mais disposição e consegue ficar mais focado, para atividades que exigem seu esforço, assim terá um melhor desenvolvimento delas. E as tarefas mais simples podem ser realizadas quando você já não está com sua total capacidade. Grande parte das pessoas tem seu período mais produtivo logo após o café da manhã e é comum utilizarem esse tempo para ler e-mails recebidos, ler notícias do dia, o que acaba sendo prejudicial em termos de produtividade. Importante: o período mais produtivo é diferente em cada pessoa.

3 – Quebre as tarefas em pequenos feitos e faça intervalos regulares

O cérebro precisa alternar fases mais ativas e de relaxamento para funcionar melhor. Um grande projeto pode parecer difícil demais de ser colocado em prática, assustador e ativar os centros de dor do nosso cérebro nos tornando mais propensos à procrastinação. Pequenos feitos nos ajudam a enxergar tarefas cumpridas e compreender que estamos no caminho do sucesso, o que dá ao cérebro a sensação de recompensa e nos mantém motivados a finalizar o projeto inteiro. O ideal é fracionar a tarefa em blocos que possam ser realizados em 30 ou 40 minutos de trabalho sem interrupção, um bom tempo para manter o foco e que lhe dará a sensação de dever cumprido ao final da tarefa. Neurocientistas afirmam que 10 minutos de descanso a cada 1 hora ou 40 minutos de trabalho podem aumentar a produtividade. Esse descanso pode ser um alongamento, uma troca de atividade, uma olhada na sua timeline, comer alguma coisa, tomar um café, ouvir uma música, entre outras coisas.

4 – Faça uma coisa de cada vez

Esqueça essa história de ser multitarefa para ganhar produtividade. De fato, para o cérebro não existe isso de fazer várias coisas ao mesmo tempo, ele só consegue focar em uma coisa de cada vez. Quando você fica alternando a atenção entre uma coisa e outra, não consegue alta performance em nenhuma delas e perde mais tempo. E tem mais: agir em multitarefas aumenta a produção de cortisol, hormônio do estresse, e de adrenalina, hormônio da “luta ou fuga”, o mesmo que é liberado quando nos sentimos em perigo. Isso pode causar confusão mental, pensamento desconexo e levar a comportamentos impulsivos e agressivos. Além disso, quando você fica mudando constantemente sua atenção, acostuma o seu cérebro a estar sempre pulando de um estímulo a outro e faz com que ele tenha dificuldades quando precisa manter o foco. No entanto, é preciso ficar atento, pois fazer muitas coisas ao mesmo tempo pode ser viciante, nosso cérebro busca novidade e, cada vez que você checa uma mensagem de WhatsApp ou e-mail, pode sentir uma recompensa por isso, como se tivesse completado uma tarefa, liberando dopamina e dando a falsa ideia de que está sendo produtivo.

5 – Reduza as alternativas

Tomar decisões toma tempo e requer esforço mental. Ficar tomando decisões, fazendo escolhas, elegendo alternativas o tempo todo cansa o cérebro, esgotando-o rapidamente: O que eu faço primeiro? Faço agora ou mais tarde? Que roupa eu coloco? Envio o relatório ou não? Respondo ou não respondo? Qual escolho? A dica é, quando possível, reduzir o número de alternativas em todos os sentidos, desde estabelecer, por exemplo, roupas para trabalhar para não ter que ficar escolhendo, fazer planejamentos, estabelecer processos e deixar a tomada de decisões para coisas realmente importantes.

6 – Durma bem e no mesmo horário

Dormir é fundamental não só para descansar o corpo como para consolidar as memórias do dia. Quando se perde uma noite de sono, é evidente a exaustão mental no dia seguinte e também não há uma consolidação efetiva das memórias. Dormir pouco reduz a capacidade de manter o foco em uma tarefa, dificulta a realização de atividades cognitivas e a aprendizagem, aumenta a sonolência diurna e provoca alterações de humor. Mas, ao contrário do que muitos pensam, o cérebro não para de funcionar durante o sono, é nesse período que ele se vê mais livre dos estímulos externos e tem tempo para consolidar as memórias. Ter uma rotina no horário de dormir e acordar contribui para a manutenção do nosso ritmo biológico, estabelecendo períodos mais fixos de sono e vigília e dando a oportunidade de programar melhor seus momentos mais produtivos.

7 – Coma, hidrate-se e exercite-se

A velha e boa ladainha de ter uma alimentação saudável, beber água e exercitar-se é fundamental para o bom funcionamento do cérebro. O aprendizado, a memória, a concentração podem ser reduzidos por falta de líquido no corpo. Já os exercícios físicos, além de contribuírem para o melhor funcionamento do corpo, reduzem os níveis de stress e ansiedade, melhorando a capacidade de raciocinar mais rapidamente, aumentando os níveis de atenção e até potencializando a memória.

8 – Automatize bons comportamentos

Treinar, treinar e treinar até automatizar um comportamento ou procedimento é uma grande estratégia para aumentar a produtividade. Quando tornamos ações automáticas e não temos que pensar sobre elas para fazer, o cérebro funciona de forma mais eficiente, melhora a atividade e os resultados. Além disso, bons comportamentos automatizados têm maior chance de serem reproduzidos em situações de grande impacto emocional, já que nessas situações não agimos muito racionalmente.

9 – Mindset de crescimento, autoconhecimento e capacidade de se autogerenciar

Estar aberto a aprender sempre, acreditar que é capaz de aprender coisas novas e buscar conhecimentos que auxiliem no seu trabalho e na sua rotina também são fatores essenciais para ter mais produtividade e manter-se atualizado nos dias de hoje em que as coisas se transformam muito rapidamente. Além disso, conhecer suas potências e fraquezas, ter noção dos seus pontos a desenvolver, saber gerenciar suas emoções, seu humor e até sua disposição ajuda a definir os melhores momentos para cada atividade, inclusive para enfrentar situações decisivas, como negociações importantes, fechamento de contratos, entre outros.

Esses fatores podem ser fundamentais para ganhar produtividade no dia a dia e obter melhor performance em tudo que você faz. Pronto para começar?

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Neurosexismo: o mito de que homens e mulheres têm diferenças no cérebro

Pesquisas que tentam estabelecer distinção entre cérebro masculino e feminino não são conclusivas. O que alimenta esta ideia pode estar mais ligado à cultura

No livro “The Gendered Brain” (O gênero do cérebro, em tradução livre), a neurocientista da área cognitiva Gina Rippon cita uma pesquisa que “finalmente” revela uma diferença entre o cérebro da mulher e o do homem. Esse estudo, realizado com 21 homens e 27 mulheres na Universidade da Califórnia em 2005, deu volta ao mundo em anúncios publicitários, jornais, TVs e conferências de liderança corporativa.

Cinco anos depois, mais um escândalo tomou conta da mídia, quando a correspondente para assuntos médicos Jennifer Ashton, do canal americano CBS, disse que “os homens tinham seis vezes e meia mais massa cinzenta do que as mulheres”. Logo em seguida, obviamente, surgiram as notícias de que os homens têm mais talento para matemática e mulheres são mais hábeis para multitarefas.

Mesmo que, para isso, fosse necessário as mulheres terem um cérebro 50% maior, começaram a aparecer notícias sobre a correlação disso com o QI e a quantidade de massa cinzenta ou branco no cérebro de um e de outro gênero.

Neurosexismo

A história das pesquisas que buscam as diferenças entre os sexos é repleta de interpretações errôneas e números inconsistentes.

Gina Rippon, uma das maiores porta-vozes contra as “más” pesquisas da neurociência sobre a diferença de gêneros, diz que – de tempos em tempos – aparece uma pesquisa ou outra para dar sequência a este ciclo que tenta perpetuar a ideia de que existe diferença entre os sexos.

Este tipo de pesquisa, segundo ela, continua sendo feito em diversos laboratórios, mas explodiu mesmo quando apresentaram uma ressonância magnética.

No entanto, como diz o livro The Gendered Brain, ainda não existem conclusões exatas sobre estas pesquisas. Os cientistas modernos ainda não encontraram diferenças significativas e definitivas entre o cérebro de homens e mulheres.

No cérebro das mulheres, o processamento da linguagem não flui melhor entre os hemisférios, na comparação com o cérebro do homem, conforme sugeriu artigo publicado pela Nature, em 1995. Isso foi negado em estudo posterior, de 2008.

O tamanho do cérebro e certas características, como a proporção de substância cinzenta e branca, podem, sim, variar em função do tamanho do corpo. Mas estas são diferenças de grau, não de gênero.

Como Rippon notou, elas não são vistas quando comparamos um homem de cabeça pequena com uma mulher de cabeça grande. Isso não está nada relacionado a hobbies e remuneração.

Como acabar com o neurosexismo?

A mensagem central do livro da neurocientista Rippon é que “um mundo dividido por gênero produz um cérebro de gênero”. O livro reforça a ideia de que, para erradicar o neurosexismo, é preciso eliminar esse tipo de pesquisa. Rippon lembra, no livro, de uma citação de 1895 do psicólogo social Gustave Le Bon, que usou seu “cefalômetro” portátil para declarar que as mulheres “representam as formas mais inferiores da evolução humana”. Em outro exemplo, ela cita o engenheiro do Google James Damore, que escreveu para os colegas na internet, em 2017, que as mulheres não assumem mais cargos de tecnologia e liderança por “causas biológicas”.

A busca por provas de inferioridade das mulheres foi parcialmente freada mais recentemente com a ideia de “complementaridade” entre homens e mulheres. Esta linha de pensamento ainda diz que as mulheres não são menos inteligentes do que os homens e, somente, diferentes, o que coincide com ensinamentos bíblicos sobre o papel de cada gênero. Assim, diz-se que o cérebro das mulheres está mais ligado à empatia e à intuição, ao passo que o cérebro masculino seria mais voltados à razão e à ação.

Herança cultural

Se não existe diferença entre os cérebros de homens e mulheres, então o que explicaria as diferenças de comportamento e interesse de um gênero para outro? Segundo o livro de Rippon, isso é consequência de um mundo dividido em gênero, na cultura do azul-e-rosa, que moldaria o cérebro de meninos e meninas desde cedo.

Rippon estruturou seu livro em quatro teorias que explicam esta cultura: as pesquisas históricas sobre diferenças entre os sexos, baseadas em imagens do cérebro; o surgimento da neurociência cognitiva social, as poucas diferenças no cérebro de recém-nascidos e, por fim, ao triste fato de as pessoas acharem que mulheres talentosas são consideradas “trabalhadoras” e homens como “gênios selvagens”.

Tudo isso, segundo a neurocientista, pode contribuir para o ciclo de construção do cérebro e expectativas diferenciadas, níveis de autoconfiança e tomada de risco que levam homens e mulheres a diferentes trajetórias de carreira e sucesso.

Fonte: www.nature.com/articles/d41586-019-00677-x

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Seis passos para reconectar seu cérebro (e dominar tudo)

Você pode ensinar novos truques a um velho cérebro, mas é preciso mais do que um simples movimento de uma varinha mágica de neuroplasticidade dizendo “reconecte meu cérebro”.

A plasticidade cerebral engloba um número de mecanismos neurobiológicos pelos quais nossos cérebros e mentes humanas aprendem, mudam e dominam novas habilidades.

A capacidade da plasticidade do cérebro varia ao longo da vida. Durante a infância e adolescência, o interruptor da neuroplasticidade é ligado, e no cérebro adulto vários freios moleculares e fisiológicos agem para desligar a plasticidade, mas não totalmente.

O cérebro mais velho ainda é plástico e permanece assim até o fim da vida. Nós podemos aprender, mudar e dominar novas habilidades como adultos. Nós todos somos capazes de aprender a falar um novo idioma em qualquer idade, mas nós não vamos aprender tão facilmente quanto se tivéssemos aprendido isso antes de entrar na escola.

Se o cérebro de um bebê experimenta “plasticidade para tudo”, em que qualquer experiência molda e muda circuitos neurais, então a plasticidade adulta ocorre apenas sob circunstâncias particulares.

Quando a plasticidade adulta acontece?

Se você já ficou maravilhado com as excelentes habilidades dos mergulhadores olímpicos, ginastas, jogadores de basquete ou qualquer outro atleta de elite, você sabe que eles parecem naturais e sem esforço (com capacidades super-humanas que podem parecer tão distantes das nossas). Muitas vezes não é difícil atribuir a performance deles ao talento inato ou a bons genes: eles são dotados, atletas naturais que nasceram com isso.

Mas acontece que existe muito mais da maestria do que do talento inato. O desempenho excepcional implícito é a capacidade de explorar a neuroplasticidade adulta.

Pratica leva à perfeição por causa da plasticidade

Se pudéssemos levantar a tampa da cabeça e espiar os cérebros de virtuosos violinistas, cirurgiões, pilotos de caça, campeões de xadrez, tenistas vitoriosos, ou grandes nomes da literatura e da arte, nós poderíamos ver que o excepcional desempenho (disfarçado de talento), é adquirido durante aproximadamente dez anos (ou 10.000 horas) de prática.

E essa prática não é o que muitos de nós pensamos ser treinamento. Não é um simples treinamento de movimentos de golfe ou tocar um instrumento musical algumas vezes na semana. Essa prática é uma atividade altamente estruturada em que você se envolve com um objetivo específico de melhorar sua performance. Isso envolve repetir um comportamento várias vezes, esforçando-se constantemente para melhorar sua performance, usando o feedback do treinador ou de um mentor.

Prática não é o suficiente

Existem alguns passos a mais para o domínio e a religação do cérebro do que apenas prática: motivação, emoções positivas e visualização do objetivo, todos desempenham um papel. A capacidade inata do cérebro adulto para a neuroplasticidade na idade adulta pode ser aproveitada quando condições específicas que permitem ou desencadeiam a plasticidade são satisfeitas. Estes são incluídos quando a mudança é considerada importante, recompensadores ou cruciais para sobrevivência.

Devemos notar que qualquer mudança precisa ser construída em uma base de boa saúde cerebral. Abaixo estão seis passos que permitirão você explorar sua capacidade de plasticidade e domínio, no cérebro adulto:

Razões: Encontre seu porquê

  • Qual é seu objetivo? Qual habilidade, comportamento ou mentalidade que você quer aprender, mudar, dominar ou aperfeiçoar?
  • Ter clareza em torno do seu objetivo gera confiança, motivação e excitação ao invés de medo e incerteza;
  • Saber qual é o seu objetivo permite estabelecer “metas mínimas”;
  • Essas metas mínimas te preparam para algumas vitórias fáceis iniciais. Vitórias fáceis que fecham um ciclo de feedback e disparam os caminhos de recompensa da dopamina no cérebro. Recompensa aumenta o aprendizado e ativa motivação;

Envolvimento: Absorva-se em aprender a tarefa. Tenha feedback dos melhores

  • Foque em aprender uma nova habilidade;
  • Determinação em uma tarefa é vital (multitarefa leva ao esgotamento cognitivo);
  • Tenha um professor, treinador ou guia para te fornecer um feedback;
  • Um aviso para professores, treinadores ou guias: você deve agir como um recurso e não como um microempresário do processo. Motivação vem da autonomia e do domínio. Nós todos respondemos a recompensas internas e não externas;

Encontre o ponto principal entre o tédio e o medo

  • Encontre seu fluxo. Do ponto leve ao moderado de ativação, o cérebro está em ótimo estado para aprender. Em níveis muito baixos ou muito altos de estimulação, a aprendizagem é inibida. Nós vemos isso em todos os níveis neurobiológicos desde a sinapse até o comportamento;
  • Tédio é um sintoma de subexcitação – talvez a nova tarefa não esteja testando você. Tente preparar um objetivo maior, mudar alguns pontos do objetivo ou mudar o ambiente em que você está treinando;
  • Medo é um sintoma de excesso de excitação – talvez a tarefa esteja muito difícil. Isso supera seu nível de habilidade? Talvez você não tenha “mirado” seu desafio em partes ou projetos viáveis;

Imagine: ensaie em sua mente

  • Pensar e fazer estão no mesmo cérebro. As mesmas áreas do cérebro são ativadas quando você completa uma atividade motora e quando você ensaia mentalmente a mesma tarefa;
  • Músicos e atletas comumente usam ensaio ou visualização mental para ajudar a ativar o domínio;
  • Você pode ensaiar mentalmente como você vai responder emocionalmente a um evento. Tente ensaiar como você vai responder emocionalmente se você acertar um obstáculo ou falhar;
  • O ensaio mental pode ser pensado como prática quando você não consegue praticar

Repita: prática torna-se perfeita devido à neuroplasticidade

  • Pratique (pratique e pratique) sua nova habilidade, comportamento e mentalidade;
  • Neurônios que “acendem” juntos, ficam ligados. Neurônios que estão fora de sincronia falham ao se conectar;
  • Prática supera o talento. O gênio não nasce gênio. Em vez disso, ele constrói sua capacidade de dominar o que quer fazer;
  • É aqui que a determinação entra. Detalhe, a prática nem sempre é divertida.

Ampliar: mudar requer que você se mova para fora da sua zona de conforto

  • Repetir a mesma tarefa várias vezes não é o suficiente para melhorar. Você deve praticar no limite da sua capacidade;
  • Amadores praticam até fazerem tudo corretamente. Profissionais praticam até que não possam errar. 

    Com informações do site yourbrainhealth.com.au/refire-6-steps-to-rewire-your-brain-and-master-anything/

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Interface cérebro-máquina: convertendo pensamento em ação

Longe de ser ficção científica, a interface cérebro-máquina de hoje já nos dá uma visão de futuro sobre as tecnologias alimentadas pelo pensamento.

Dispositivos que convertem algoritmos em ação estão devolvendo atividade cerebral a pessoas que não conseguem falar ou usar membros do corpo mutilados em acidente.

A mulher que tomava café

Em 2012, Cathy Hutchinson ficou conhecida como “a mulher que tomava café”. Ela realmente gostava de café, mas o que impressionou a mídia do mundo inteiro foi a forma como ela o fazia: usando um braço robótico controlado pelo seu pensamento.

Hutchinson sofreu um derrame em 1996 e ficou paralisada, sem poder falar. Como participante de uma pesquisa clínica chamada BrainGate2, ela usou uma “interface cérebro-máquina” para transformar seus pensamentos em ação. Para tomar seu café, Hutchinson imaginava estar movendo seu braço.

Embora pareça ser coisa de filme de ficção científica, a interface cérebro-máquinas é um dispositivo real: são equipamentos minúsculos de registro, ou microelétrodos, implantados cirurgicamente no cérebro, que traduzem a atividade elétrica do cérebro por meio de algoritmos de computador, transformando pensamento em movimento.

A atividade cerebral produzida pelo pensamento é processada pelo computador e gera sinais que acionam o braço robótico. Da mesma forma, os cientistas empregaram interfaces cérebro-máquina para mover os cursores nas telas dos computadores e controlar outros membros robóticos ou próteses.

Uma ideia brilhante

Em 1968, Karl Frank, o fundador do Laboratório de Controle Neural dos Institutos Nacionais de Saúde, previu um futuro em que a atividade cerebral poderia se conectar ao mundo externo.

Em um grande insight, ele afirmou que, ao registrar a atividade cerebral, poderíamos um dia usar os padrões dessa atividade para ajudar as pessoas com paralisia a interagirem com seus ambientes.

Hoje, quase 50 anos mais tarde, a interface cérebro-máquina está ajudando também no desenvolvimento de tratamentos para lesões e doenças do cérebro.

Voluntários fazem história na evolução da interface cérebro-máquina

Com a pesquisa BrainGate, lançada em 2004, a Cyberkinetics implantou um eletrodo no cérebro de voluntários tetraplégicos, paralisia que atinge os quatro membros. A empresa focou a pesquisa no córtex motor, uma região do cérebro que controla o movimento voluntário. Os pesquisadores conectaram o eletrodo a um computador, tentando transformar pensamentos em ação.

Em 2005, nesta mesma pesquisa, Matt Nagle se tornou a primeira pessoa a jogar videogame, abrindo e fechando uma mão protética apenas com seus pensamentos.

De lá para cá, diversos experimentos como o da mulher que bebia café foram concluídos com êxito e milhões de dólares continuam sendo investidos em pesquisas do gênero.

A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA), como parte da Iniciativa BRAIN, está financiando projetos de desenvolvimento de próteses de última geração, melhorando a memória e desenvolvendo um sistema implantável capaz de registrar um milhão de neurônios.

Em julho de 2017, a DARPA concedeu US $ 65 milhões para cinco organizações de pesquisa e uma empresa para apoiar o desenvolvimento de um sistema de registro implantável. O objetivo é desenvolver um sistema sem fio e extremamente compacto para gravação nos próximos 4 anos. Por fim, o programa de Projeto de Sistemas de Engenharia Neural da DARPA trabalhará com a FDA para levar a tecnologia a testes clínicos em humanos.

Décadas de pesquisa com financiamento público nos levaram ao ponto em que podemos imaginar um futuro em que pessoas com paralisia possam recuperar a mobilidade com a ajuda de interfaces cérebro-máquina implantáveis. Ainda assim, a tecnologia está em sua infância e a tradução para uso clínico está apenas começando. Com o apoio contínuo de instituições públicas e privadas, os cientistas podem um dia perceber a visão de Karl Frank de fundir a mente com a máquina para resolver problemas humanos.

Financiamento acelera a pesquisa

Avanços em gravação de neurônios e decodificação de suas atividades continuam a impulsionar o campo. Três anos depois de Cathy Hutchinson beber seu café, Erik Sorto, uma pessoa tetraplégica devido um tiro na espinha, fez o mesmo, embora o movimento tenha vindo mais suavemente.

Como um participante em um ensaio clínico conduzido por Richard Anderson, no Instituto de Tecnologia da Califórnia, Sorto tinha microeletrodos implantados na região do cérebro responsável pelo planejamento do movimento, o córtex parietal posterior.

O resultado: Sorto fluidamente levou a cerveja em seus lábios usando um braço robótico. Em Pittsburgh, uma mulher usando a mesma tecnologia dos eletrodos e um braço protético mais novo foi capaz de comer uma barra de chocolate.  

Pesquisadores ao redor do país estão impulsionando os limites da tecnologia. Por exemplo, o consórcio BrainGate continua a explorar usando a interface do cérebro-máquina para restaurar comunicação e movimento. O consórcio também está pesquisando como podem ser empregados para comunicação assistida e o desenvolvimento de tratamento para desordens como a epilepsia.

Texto traduzido do site americano Brain Facts

Autora do texto – Mary Bates

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Hormônios impactam a saúde do cérebro, do corpo e da mente

A neurociência explica que o consumo de açúcar e a falta de exercícios não são as únicas causas do sobrepeso. Leptina, cortisol e estrogênio estão entre os vilões da obesidade

No mundo inteiro, a maioria das pessoas tem a ideia de que estar acima do peso ou obeso é consequência de uma alimentação que inclui apenas lanches, bebidas com muito açúcar ou falta de exercícios físicos.

As pessoas que geralmente têm problemas com a balança e veem sua saúde comprometida por isso se culpam por não conseguirem mudar seu comportamento para se livrar do excesso de gordura.

Não há dúvidas de que comer muito açúcar e fazer pouco exercício são hábitos ruins. Entretanto, não são estas as únicas causas do ganho de peso e da obesidade. Na verdade, há outra razão pela qual podemos ganhar peso: os hormônios.

A neurociência explica o impacto dos hormônios no cérebro e na nossa saúde física e mental. De acordo com os estudos da área, o equilíbrio hormonal é crucial para a saúde e o bem-estar gerais, e que um desequilíbrio no nível de qualquer hormônio pode causar numerosos e sérios problemas de saúde.

O Dicionário The Oxford Dictionary define “hormônio” como uma substância reguladora produzida pelo organismo e transportada pelo sangue para estimular células e tecidos específicos a entrarem em ação.  Em outras palavras, hormônios secretados pelo cérebro carregam mensagens reguladoras para o restante do corpo.

Será que estes hormônios podem influenciar no nosso peso? Sim: o desequilíbrio hormonal ou uma má interpretação dos sinais que os hormônios enviam ao corpo têm um grande impacto na nossa saúde e regulação de peso. Os estudos da neurociência mostram que há vários hormônios envolvidos em problemas de controle de peso e obesidade.

Um deles é a leptina, responsável por regular o apetite, o metabolismo, a pressão sanguínea, a frequência cardíaca e outras funções do corpo, porque reduzem a fome agindo no hipotálamo. As células de gordura do nosso corpo liberam leptina, que avisa o cérebro de que já comemos o suficiente.

A leptina é sensível ao açúcar. Quando comemos açúcar em excesso, nosso organismo não consegue processar tudo e o açúcar extra é transformado em gordura. Ao mesmo tempo, muita gordura estimula a produção de mais leptina, e o cérebro se torna resistente a este hormônio. Assim, paramos de receber mensagem de que estamos saciados e comemos demais.

Cortisol: o hormônio do estresse

Quando estamos muito estressados, tendemos a comer mais para nos sentirmos melhores. Isso acontece graças a outro hormônio, o cortisol, que está relacionado ao metabolismo e controle do estresse.

Este hormônio é outra razão pela qual temos vontade de comer muito. O estresse e a ansiedade podem causar o aumento da produção de cortisol no corpo: quando estamos diante de uma situação estressante, as glândulas suprarrenais secretam cortisol. O cortisol prepara o corpo para a sobrevivência imediata, aumentando a quantidade de glicose e armazenando gordura, porque se sente ameaçada. Isto poderia ser bom se o estilo de vida moderno não fosse tão estressante. Entretando, com a alta de situações estressantes, este hormônio está constantemente elevado, o que aumenta o apetite, levando ao ganho de peso. Assim, o estresse faz o corpo armazenar gordura, em vez de queimá-la.

Outro vilão é o estrogênio, o hormônio sexual feminino, que regula o desenvolvimento e o funcionamento do sistema reprodutivo da mulher e que também pode causar ganho de peso, sobretudo na menopausa.

Os níveis de estrogênio influenciam a ingestão de alimentos, o armazenamento de gordura e o metabolismo. O estrogênio também está intimamente ligado a outro hormônio – a insulina. A insulina é responsável por diminuir e controlar seu nível de açúcar no sangue. Quando os níveis de estrogênio são elevados, eles interrompem a produção de insulina, o que leva ao alto nível de açúcar no sangue. Em última análise, faz com que seu corpo armazene gordura, levando ao ganho de peso. Um desequilíbrio no nível de insulina, também conhecido como resistência à insulina, pode até levar ao desenvolvimento de diabetes tipo 2.

A glândula tireóide e seu funcionamento inadequado também podem levar ao excesso de peso. Ela influencia no metabolismo e, portanto, desempenha um papel importante na manutenção de um peso saudável.

Quando a tireóide não produz hormônio suficiente, o metabolismo fica mais lento. Como resultado, começamos a armazenar gordura em vez de queimá-la e ganhamos peso facilmente.

Esses hormônios desempenham um papel significativo na manutenção de um peso saudável e interferem no ganho de peso ou na obesidade. Na verdade, eles influenciam não apenas a maneira como nos sentimos e pensamos sobre os alimentos, mas também na forma como nosso corpo processa e armazena gordura. O desequilíbrio hormonal pode não explicar todas as oscilações de peso, mas permite a compreensão e até solução de grande parte desses casos.

Esta matéria foi traduzida do site knowingneurons.com

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Sentimentos de mágoa realmente fazem doer o coração?

Cientistas explicam como nosso cérebro responde à rejeição e por que usamos a palavra “dor” quando nos sentimos magoados. A dor do coração realmente é uma dor física?

Quando somos rejeitados, nos sentimos magoados. Será que este sentimento dói de verdade no corpo físico? A dor pode nada mais ser do que uma metáfora para a nossa angústia emocional. Afinal, não há como confundir um coração partido com um joelho ralado…

“Ainda assim, se você perguntar a alguém qual foi o pior momento de sua vida, provavelmente este alguém vai voltar ao início da infância e contar uma experiência dolorida de quando foi socialmente rejeitado”, diz Naomi Eisenberger, uma psicóloga da Universidade da Califórnia.

“Eu estava curiosa para saber o porquê disso e por que isso nos afeta tão profundamente”, afirmou a psicóloga.

Em 2003, Eisenberger e uma equipe de pesquisadores tentaram responder a essa pergunta examinando como nosso cérebro responde à rejeição e porque usamos o verbo “doer” para expressar o sentimento de mágoa.

Os pesquisadores observaram a atividade do cérebro de voluntários, por meio de um scanner de ressonância magnética, enquanto eles jogavam um game de arremesso de bolas. Os participantes achavam que eles estavam jogando com outros voluntários do estudo, mas na realidade eles estavam jogando contra um programa de computador. De repente, os “jogadores virtuais” pararam de jogar a bola para a pessoa que estava sendo observada por scanner- e o scanner mostrou atividade nas áreas do cérebro que estão relacionadas à dor.

Esse simples episódio de exclusão ativou duas áreas do cérebro que processam os aspectos emocionais e angustiantes da dor física. Uma das áreas é uma faixa em forma de C, dentro do cérebro, chamada córtex cingulado anterior, e a outra área é localizada bem no interior dos lobos temporais, chamada de ínsula anterior. Emocionalmente, a atividade nessas partes do cérebro nos diz “isso é horrível, eu preciso fugir disso”, diz Eisenberger.

“Talvez exista alguma verdade nas nossas palavras, por que dizemos coisas como ‘a rejeição dói´’”, diz Eisenberger. O cérebro parece processar a dor de sermos rejeitados “de uma maneira que parece bastante semelhante à dor física”, completa.

Porém, nada é tão simples assim quanto parece. Em 2014, Tor Wager, um neurocientista cognitivo da University of Colorado Boulder e uma equipe de pesquisadores treinaram um computador para analisar imagens do cérebro e desenvolver modelos de atividade cerebral para a dor física e a rejeição social.

Quando o computador analisou a nova imagem, era possível dizer, em 100% dos casos, se era um cérebro com dor física ou um cérebro experienciando uma perda social.

Rejeição e dor física compartilham um território neural em comum, “mas quando você realmente analisa detalhadamente e observa os padrões [de atividade], eles são diferentes”, diz Wager.

Ainda assim, Wager – cujo laboratório estuda como os nossos pensamentos e crenças influenciam nosso cérebro e nosso corpo – afirma que isso não diminui os efeitos da dor social.

“Não tem que ser a mesma (exatamente igual à dor física) para ser tão importante”, ele diz.

A rejeição pode levar nossa mente a pensamentos de preocupação e insegurança, e esses pensamentos “podem interagir diretamente com nosso sistema nervoso”, completa Wager.

O sistema nervoso, por sua vez, interage com todo o resto do corpo. Talvez o porquê de ser rejeitado doer tanto o coração esteja em algum lugar no meio dessas interações mente-corpo pesquisadas pelos cientistas.

Este texto foi traduzido do site Brain Facts

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Estado da Arte

“A aplicação mais promissora da neurociência está justamente na investigação de tipos psicológicos e como os diferentes tipos devem ser estimulados para atingirem o máximo do seu potencial.”

Há um ano e meio, inaugurei esta coluna mensal propondo a inserção da neurociência no ambiente corporativo. De lá para cá, procurei mostrar mensalmente como o pensamento neurocientífico podia auxiliar a gestão de pessoas e as práticas de desenvolvimento humano dentro das empresas. Também estive em diferentes eventos palestrando sobre essa inserção e quero fazer um balanço sobre como tenho visto as aplicações nessa área, quais são os desafios a serem enfrentados e como tenho concretizado as ideias que veiculo por aqui.

Primeiro, uma impressão ruim: vários gestores e consultores de RH dizem que as palestras e textos sobre neurociência e desenvolvimento humano a que tiveram acesso não parecem conter reais novidades. Na verdade, a impressão que dividiram comigo é que ainda não há aplicações reais que diferenciem a neurociência de outras práticas já consagradas, como a programação neurolinguística, hipnose ou até mesmo a psicologia positiva. Um importante consultor me confidenciou que já não tem mais interesse na neurociência porque quase sempre as palestras versam sobre tomada de decisão e abordam como o cérebro usa o conteúdo emocional como subsídio para esse processo. Depois de me ouvir, disse que eu tinha aberto uma nova possibilidade. Para quem costuma ler meus textos aqui, não é novidade que avanço sobre muitas searas do comportamento humano e proponho várias interfaces de discussão distintas dessa, apesar de também falar de como o estudo das emoções é necessário e de que forma ele pode potencializar o desenvolvimento de lideranças e times de alta performance.

Agora uma proposta: no meu entendimento, a aplicação mais promissora da neurociência está justamente na investigação de tipos psicológicos e como os diferentes tipos devem ser estimulados para atingirem o máximo do seu potencial. Em especial, estou trabalhando na construção de uma interface entre as tipologias psicológicas consagradas como eneagrama, MBTI e DISC e o entendimento do funcionamento cerebral que é predominante em cada um desses tipos. A partir dessa investigação, pretendo desenvolver metodologias com resultados muito mais expressivos para o desenvolvimento do potencial humano e organizacional.

E por último, uma novidade: a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo autorizou a abertura da primeira turma de especialização em Neurociência e o Futuro Sustentado de Pessoas e Organizações. Sob minha coordenação, um corpo docente incrível composto por acadêmicos da neurociência e profissionais de gestão e desenvolvimento humano está junto para enfrentar o desafio de fornecer uma formação em neurociência que permita que os conhecimentos sobre a ciência do cérebro possam ser realmente aplicados na sua potencialidade máxima no ambiente corporativo. Esse curso vem preencher a lacuna que o mercado já sentiu que existe na formação dos profissionais que estão procurando levar a neurociência para o cotidiano das empresas. Esse é o estado da arte da neurociência nas corporações: uma esperança de mudança real e tangível compatível com os desafios do século XXI. Quem viver verá!

 

Para conhecer o programa de Pós Graduação: Neurociência e o Futuro Sustentado de Pessoas e Organizações, CLIQUE AQUI.

 

 

Texto originalmente publicado na Revista Profissional e Negócios em Julho de 2016

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Até onde uma recompensa é realmente boa?

Já perdi a conta de quantas vezes ouvi em palestras e cursos que uma ótima forma de produzir resultados e ganhos de aprendizado é oferecer recompensas aos alunos, colaboradores, filhos, etc… E eu sempre me pergunto: até onde isso realmente funciona? Será que esta é a forma correta de promovermos engajamento e produtividade? Em minhas palestras tenho falado muito do desenvolvimento do “cérebro social” e do uso de motivadores intrínsecos (leia mais sobre neste outro post) que dependem do desenvolvimento da capacidade de autocontrole, entre outros. Neste sistema, o que está em questão é o quanto nos importamos verdadeiramente com os resultados que vamos obter numa análise mais global e não, simplesmente, o que isso vai significar de ganho pessoal como no caso de uma recompensa financeira só por ela mesma. Eu sempre digo que incentivar somente a visão egoísta do que o pessoal chama de “sistema de sobrevivência do cérebro reptiliano” é uma forma muito perigosa de engajar colaboradores.

Mas como sempre precisamos de resultados de pesquisa para dar força para nossas opiniões, fiquei muito satisfeita com o trabalho publicado na semana passada no Journal of Neuroscience (revista da Society for Neuroscience, que é a maior sociedade científica em neurociência do mundo). Neste trabalho (acesse o abstract aqui), o grupo chefiado pelo Professor O’Doherty, diretor da divisão de imageamento cerebral do Caltech, mostrou que quando um indivíduo que tem grande aversão à perda se vê diante de uma situação em que a recompensa é muito expressiva (leia-se “grana alta”), sua performance motora em tarefas complexas diminui drasticamente.

Estes indivíduos que tem maior susceptibilidade a manifestar “choking under pressure” (sufocamento sob pressão) e isso acaba deixando-os fragilizados diante da perda daquilo que o sistema emocional já considera sendo deles. Os resultados mostram que a atividade do núcleo acumbente, que é quem recebe o estímulo dopaminérgico presente na motivação, aumentou em resposta à recompensa, o que significa que eles levam em consideração a recompensa que podem obter, mas quando que o desafio começa, a atividade cerebral e a performance caem drasticamente. Assim, antes mesmo de conseguir o prêmio, o indivíduo já sofre de pensar em perdê-lo.

A questão mais importante é que, o perfil comportamental que manifesta grande aversão à perda geralmente é aquele procurado pelos recrutadores já que vem acompanhado de alto grau de organização, foco e respeito às regras. Paradoxalmente, esses indivíduos parecem não ter sua performance tão afetada quanto precisam evitar perdas gigantescas. Do outro lado desta história encontramos os destemidos com baixa aversão à perda que respondem bem a altas recompensas mas acabam apresentando pior performance diante de perdas muito grandes.

Estes resultados devem nos fazer pensar sobre qual é o papel que estamos dando para comissões, participações em resultados e outros incentivos desta natureza. Se pensamos em usar as recompensas e, portanto, estamos confiando ao sistema emocional a tarefa de promover melhores resultados, temos que ter claro que estamos usando um sistema primitivo, para seduzir nosso colaborador no ambiente mental onde ele tem pouco controle sobre o seu comportamento. Daí não adianta no meio da confusão de final de mês em busca de metas pedir autocontrole e sensatez para ninguém. Aí nem mesmo todas as táticas de liderança que você aprendeu vão te salvar. A sorte está lançada e que vença o melhor!

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