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Ser ou não ser.

Diariamente as pessoas tomam centenas de decisões. Sempre que se decide fazer alguma coisa, essa escolha está direcionada para algum propósito. Por exemplo, se optar por um novo emprego, está direcionado e acredita que vai obter determinados benefícios, como um bom ambiente, oportunidades de crescimento e melhor salário. Mesmo em coisas simples, a escolha e a direção estão presentes, como escovar os dentes ou amarrar os sapatos. As direções que você escolhe podem ser de atração (escovar os dentes para mantê-los brancos) ou de afastamento (evitar cáries).

A grande dificuldade de algumas pessoas está em tomar decisões que tenham o propósito de melhorar a vida, pois muitas vezes somos destrutivos. “É comum escolhermos um caminho que não condiz com nossos objetivos, e assim criamos uma série de frustrações e angústias. Todos que buscam viver uma vida de realização precisam ter coragem de superar os próprios limites e sair da zona de conforto. Uma decisão significa uma mudança, ou seja, é um ato de coragem para quem quer fazer a diferença”, enfatiza Valdizar Andrade, especialista em comportamento organizacional e autor do livro “O poder da decisão: reflexões de um peregrino”.

“Talvez ainda não estejamos familiarizados com o fato de sermos responsáveis por tudo aquilo que encontramos em nossa vida. Temos uma valiosa habilidade, a de perceber o que está faltando. Isso é muito útil para fazer as malas, encher um copo com água e para planejar. Porém, uma pessoa só nota o que falta se estiver internamente direcionada para buscar aquilo, ou seja, só notaremos algo que não está nos fazendo bem se decidirmos avaliar as nossas ações”, afirma o especialista.

Tomar boas decisões e alcançar objetivos exige foco e autoconhecimento. Andrade diz que aqueles que exclusivamente se “movem em direção a” podem tomar decisões ingênuas e potencialmente arriscadas. E os indivíduos que somente se “movem se afastando de” podem parecer muito pessimistas ou “paranoicos”. Boas decisões e planos geralmente envolvem a combinação de ambos. Andrade lembra que o universo interno de cada um é muito rico em experiências e emoções. “Temos vivências e experiências muito ricas, isso significa que o que quer que busquemos dentro nós, podemos encontrar, e se desejarmos algo diferente, temos a nossa capacidade de usarmos o que existe e transformar em algo novo. Nunca esqueça, o poder de decisão e controle da sua vida está em você”, afirma ele.

Cada vez mais o cérebro tem sido estudado em busca de entender o que acontece nele quando tomamos uma decisão. A neurocientista, diretora da Inédita e professora da Santa Casa e da PUC –SP, Carla Tieppo, tem se dedicado a essa pesquisa. Ela explica que tomar uma decisão envolve diferentes tipos de processamentos cerebrais, que estão baseados em conteúdos emocionais, que são diferentes memórias que as pessoas vão acumulando a outras experiências, semelhantes à que se está vivendo atualmente, e que dão indicativos emocionais. “Um objeto que se quer comprar pode conter diferentes símbolos que significam prazer, conforto, ou seja, a decisão de comprar o objeto está sendo mobilizada pelo que ele simboliza emocionalmente para a pessoa que quer comprá-lo. O cérebro recebe uma porção de comandos e imputes do cérebro emocional dizendo para comprar. Mas o contrário também pode acontecer, e ao olhar um objeto a pessoa pode ter asco, má impressão. A pessoa nem sabe explicar por que não gostou, mas ele simboliza algo que o cérebro emocional está lendo”, comenta ela.

Tieppo explica que a emoção serve como memória. Ela cita como exemplo um coelho que vai até um lago tomar água; quando ele chega, um predador tenta atacá-lo, ele sai correndo e consegue se livrar do perigo, mas como precisa de água, volta àquele mesmo local. Ele não vai lembrar que lá outro animal tentou atacá-lo, mas vai ter frio na barriga, uma sensação ruim, que é o cérebro emocional o mobilizando em alguma direção.

 

Emoção ajuda ou atrapalha em uma decisão?

 

A neurociência mostra que é impossível não ativar as emoções ao se tomar uma decisão, mas elas ajudam ou atrapalham nesse momento? Segundo Tieppo, isso depende do quão amadurecida emocionalmente a pessoa for, ou seja, depende do que tem relevância emocional para a pessoa. Como exemplo, ela cita um jovem investidor que não teve experiências boas nem ruins com ações. Nesse caso, ela diz que, se ele tivesse passado por essas situações, isso o ajudaria a tomar a decisão certa; mas, pelo contrário, o que ele pode ter é um medo de não agir da forma correta, o que pode atrapalhá-lo e congelá-lo. Ou ele não tem nada a perder e ele arrisca mais do que deveria.

E apenas as experiências podem determinar e ajudar a pessoa a entender se ela está amadurecida emocionalmente ou não. Nesse sentido, Tieppo tem desenvolvido um trabalho junto aos jovens da geração Y de algumas empresas para controle da mente emocional, fazendo com que a pessoa tenha vivências em situações simuladas, como em um simulador de voo, para que ela tenha uma atitude emocional adequada em um momento necessário.

Uma situação recente pode ajudar a entender melhor como o cérebro emocional influência nas decisões. Segundo a neurocientista, no jogo entre Brasil e Alemanha durante a Copa do Mundo, tomar um gol aos dez minutos já era um problema, e quando o segundo gol veio, aos 20 minutos, a mente emocional dos jogadores os traiu, eles ficaram com um medo enorme de perder e aquele medo os congelou. “A seleção brasileira não está acostumada a perder. Se você olhar para a trajetória da seleção, poucas são as vezes em que ela conseguiu virar um placar de 2 x 0.Isso é uma história do futebol brasileiro e do povo brasileiro, que, quando está perdendo, entrega, ‘se não há remédio, remediado está’. Isso faz parte do nosso perfil emocional, que é pouco maduro”, comenta Tieppo.

Além da emoção, outro aspecto da tomada de decisão é a mente consciente, ou mente racional, que levanta todos os elementos e informações que consegue a respeito de uma determinada situação para criar um mapa de tendência. Há uma, duas, três ou mais opções que se podem seguir, e o cérebro precisa criar um vetor de tendência que empurre para um lado ou outro dentre as opções.

Tieppo explica ainda que, quanto maior o número de opções e mais urgentemente a pessoa tiver que tomar uma decisão, pior a mente racional funciona; ela entra quase em colapso, e, nesse caso, a mente emocional será muito mais presente e terá mais peso na decisão. Já o contrário também é verdadeiro, ou seja, quanto mais tempo a pessoa tiver para pensar, menor for o número de opções, melhor ela consegue usar a mente racional.

Nesse segundo caso, Tieppo diz que ajudam bastante na tomada de decisão os mapas mentais, escrever no papel as opções, prós, contras. É uma logística para poder fazer uma tomada de decisão mais substanciada em cima da mente racional. “Mas é importante que a gente perceba que a mente emocional não é algo a ser descartado, pois se as emoções forem baseadas em outras experiências de vida e em outras situações nas quais se errou e acertou, essa memória emocional é muito válida.”

Então o cérebro, durante uma tomada de decisão, está o tempo todo equalizando esses dois aspectos (mente emocional e racional), e eles vão ajudar na decisão correta.

E já que não é bom trabalhar com muitas opções, conversar com outras pessoas para tentar tomar uma decisão é bom ou ruim? Para Tieppo, consultar outras pessoas tem que ser mais que simplesmente “levar a conversa ao jantar de casa”. A especialista não indica esse tipo de conversa, já que as pessoas que não estão verdadeiramente envolvidas com o problema não têm as variáveis necessárias para poder dar bons conselhos, ou seja, aparecerão um monte de “achismos” que podem levar a pessoa a uma decisão equivocada. Porém, aqueles que trabalham em outros setores, mas que vivem situações semelhantes, podem ser bons conselheiros. “É muito mais um direcionamento sobre o que essa pessoa leva em conta para tomar uma decisão e sobre o que é importante do que a opinião das pessoas sobre as coisas. E somente de pessoas que tenham realmente a acrescentar”, comenta ela.

 

Treinando o seu cérebro…

 

Fazer com que o cérebro use a mente emocional e racional de forma equilibrada é possível. De acordo com Tieppo, a primeira premissa que faz isso acontecer é o autoconhecimento. Saber ouvir a si e às suas reações emocionais, entender o que é medo e intuição, poder diferenciar uma intuição que tenha certo valor do medo, é importante para poder agir de forma diferenciada ao tomar uma decisão.

Depois, é indicado sempre tentar tomar decisões mais complexas no tempo certo. Não se pode retardar demais, para não perder oportunidades, e sim procurar o tempo certo para resolver as coisas e utilizar estratégicas de raciocínio, como a produção de mapas mentais, bloco de notas e diagramas.

Por fim, é bom procurar se instrumentar do maior número de informações para criar esses vetores de força, que geram tendências entre as possibilidades que existem. “É a equalização de tudo isso que faz de você um grande tomador de decisão”, ressalta Tieppo.

Questionada se uma pessoa com mais experiência terá uma capacidade de decisão melhor que outra, a profissional diz que não pode afirmar isso com certeza, pois essa pessoa pode sofrer dedepressão, ansiedade, viver uma situa- ção de estresse maior. E o jovem, embora não tenha a experiência, tem uma liberdade que o favorece nas empresas, pois não tem tantas preocupações como família para cuidar nem dependentes, como uma pessoa com mais idade tem; por outro lado, lhes falta experiência. Nesse sentido, a neurocientista indica melhorar a capacidade emocional dos jovens e tranquilizar os mais velhos, criando um ambiente sem estresse para que se possa produzir melhor. “Um indivíduo com estresse é como um computador em modo de segurança, não funciona com todas as suas potencialidades, geralmente ‘rodam’ apenas os programas de sobrevivência”, diz ela.

Por isso o clima organizacional é tão importante no sentido de ajudar as pessoas a tomar decisões melhores no trabalho. Para Tieppo, as decisões equivocadas geralmente acontecem porque os colaboradores trabalham com a corda no pescoço – o que é muito ruim do ponto de vista da inovação e criatividade. “O RH tem um papel fundamental nas empresas, especialmente na sua porção de gestão de pessoas, e ele precisa considerar todos os aspectos. Nesse sentido, tenho trabalhado firmemente para entender como o indivíduo funciona, a fim de poder fazer com que ele dê o melhor de si para a empresa e equalizar todas assuas ações na organização.”

Tieppo dá dicas para um ambiente organizacional propício para a tomada de decisões mais acertadas e melhores:

  • Construção de um local onde as pessoas se sintam valorizadas e em que a decisão surta consequências.
  • Construção de metas factíveis.
  • A hierarquia não deve ser o aspecto mais importante das relações interpessoais.
  • Flexibilidade de horários para que as pessoas possam trabalhar nos períodos em que são mais produtivas. Nem todos trabalham bem pela manhã; isso impede que decisões sejam tomadas de forma mais assertiva também.
  • Reconhecimento do sucesso das decisões que os colaboradores tiveram.
  • O indivíduo tem que conseguir ver os frutos das decisões que ele toma, porque o maior detector do sucesso está na percepção sobre o erro e o acerto.
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O corpo humano dá dicas para ter boa produtividade

VOCÊ RH

São Paulo – Em sua equipe, certamente você tem funcionários que rendem melhor no período da manhã e outros que alcançam o auge da produtividade à tarde (ou até na madrugada). O problema é que nem sempre é fácil identificar o relógio biológico de cada um — especialmente se a empresa obriga todos os profissionais a trabalhar dentro de determinado período.

Independentemente, porém, do perfil de cada pessoa, existem alguns padrões na fisiologia humana — como o famoso soninho depois do almoço — que se aplica para a maioria. E o chefe que conhece um pouco mais como funciona o corpo humano vai obter algumas vantagens na gestão de seus times — e, consequentemente, na entrega de resultados.

“Quanto mais você respeita os processos biológicos, melhor é para o indivíduo e para a qualidade de sua produção”, afirma José Cipolla Neto, professor de fisiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

Olhos

Quem adora apresentações em PowerPoint com muitos efeitos visuais deveria repensar o recurso. O uso de flashes pode acarretar estresse visual, atrapalhando a absorção do conteúdo. Estimular os funcionários a fazer pequenas pausas também é uma medida que previne a popular “vista cansada”, responsável pelas fortes dores de cabeça. “A cada duas horas de uso contínuo de computador, é recomendável descansar entre dez e 15 minutos”, diz Jorge Miltre, oftalmologista do Hospital de Olhos de São Paulo — Hosp.

Boca / Cordas vocais

Criar espaços para comunicação é uma medida que, além de demonstrar transparência na gestão, pode trazer grandes benefícios neurológicos. “Deixar as pessoas falar e escutá-las com paciência ajuda na liberação da dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer, no circuito cerebral de recompensa”, afirma Fernando Gomes Pinto, professor livre-docente de neurocirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Estômago

Nem pense em agendar uma reunião ou um treinamento depois do almoço. Como o gasto energético do corpo está focado na digestão, a pessoa sente sonolência.  “As refeições mais completas têm uma carga proteica e de gordura maior, o que deixa o processo de digestão lento, causando sensação de sono e dificultando o raciocínio”, afirma Cylmara Gargalak Aziz, gastropediatra do Hospital São Luiz em São Paulo.

Por outro lado, também não é indicado marcar a atividade quando o estômago está vazio. O ideal é priorizar as primeiras horas do dia — sem esquecer, é claro, das comidinhas leves ao longo do expediente. “Quem faz grandes intervalos entre as refeições corre o risco de sentir dor de estômago, o que pode evoluir para uma gastrite”, diz Sonia Trecco, nutricionista-chefe do Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Cérebro  

De manhã, o corpo sofre um aumento do nível dos hormônios responsáveis por oferecer energia e vitalidade, como o cortisol e a insulina. “Eles vão diminuindo com o passar das horas, por isso muitas pessoas sentem menos disposição no período da tarde”, diz Osmar Monte, endocrinologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Por esse motivo, é recomendável agendar reuniões nas primeiras horas do expediente.

E nada de encontros demorados, porque a maioria é capaz de manter a atenção até aproximadamente 50 minutos. Nos treinamentos, o ideal é que o RH crie situações em que os participantes vivenciem o conteúdo apresentado. “O sistema nervoso aprende por acerto e erro”, diz Carla Tieppo, pesquisadora na área de neurociências. “Se a pessoa recebe informações, mas não as coloca em prática, elas serão esquecidas.” 

Coluna

As dores nas costas costumam ser uma das principais vilãs do absenteísmo nas empresas. Isso porque é comum no ambiente de trabalho o funcionário permanecer um longo tempo na mesma posição, em pé ou sentado. “A dica é fazer alterações sutis de movimento para evitar a sobrecarga da região lombar”, afirma Elder Camacho, fisioterapeuta-chefe da equipe Equilíbrio Fit & Fisio, clínica especializada em coluna, em São Paulo. No intervalo de 50 minutos a duas horas, também se recomenda circular pelo escritório não só para relaxar a mente mas também para aliviar a tensão do corpo.

Útero

Não é machismo, mas as mulheres costumam ser emocionalmente mais sensíveis do que os homens. Quando estão no período de tensão pré-menstrual, essa característica fica mais acentuada, pois aumenta o nível de estrogênio e progesterona. Além disso, a taxa de serotonina, neurotransmissor relacionado à regulação do humor, é menor no sexo feminino. Já que você não vai saber exatamente quando suas funcionárias estão nessa fase, é melhor reservar as conversas delicadas para a manhã. “O melhor horário para discutir um assunto difícil é entre 10 e 13 horas, quando o nível de serotonina ainda é alto”, afirma o ginecologista e obstetra Eliezer Berenstein.

Músculos

A ginástica laboral é uma prática disseminada em várias empresas e deve ser feita, preferencialmente, no período da manhã e no fim do dia. Um exercício de 15 minutos já é suficiente. O mais importante, no entanto, é realizar séries de alongamento específicas para cada grupo. “Quem passa muito tempo em pé pode desenvolver problemas vasculares, por isso a atividade deve ser direcionada para as pernas”, diz o fisioterapeuta Elder Camacho.

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Neurociência do consumo: como entender o consumidor e melhorar a atuação de marketing

Como compramos, por que o fazemos, por que escolhemos determinadas marcas e produtos, ou ainda, os motivos que nos levam a gastar mais em diferentes fases da vida são questionamentos estudados pela neurociência do consumo. Em marketing, as respostas dessas e outras perguntas podem ser determinantes para ações com funcionários e clientes. Assim, com o objetivo de atingir o público alvo e atender seus desejos, a neurociência (área que estuda o sistema o nervoso como um todo, incluindo as formas como o cérebro lida com efeitos das ações cotidianas das compras e vendas) é aplicada pelo setor.

O papel das emoções ao assumir decisões é muito investigado na neurociência. Muitas empresas têm explorado informações retiradas a partir das emoções humanas para incentivar o consumo e identificar os desejos de seus clientes. Essas informações não são obtidas a partir dos relatos, mas das reações e comportamentos que expressamos, o que pode nos tornar ainda mais suscetíveis ao mercado.

Diariamente, o cérebro trabalha com duas questões relacionadas ao ato de comprar: o medo de errar e o desejo por novidades. Segundo a Dra. Carla Tieppo, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e especialista em neurociência do consumo, no processo de consumo homens e mulheres têm aversão ao erro, por isso, a todo o momento buscam justificar suas escolhas.

“Quando se escolhe um objeto mais caro, por exemplo, a pessoa procura se convencer de que fez a opção correta com respostas que julga suficiente. Maior durabilidade, maior qualidade ou quantidade pelo preço proposto, geralmente, são as mais apresentadas”, afirma a professora. “Ao mesmo tempo, nota-se uma busca intensa por novidades em tecnologias, aparelhos, entre outros. Então, a forma que o mercado tem de aproveitar esse cenário é na variedade de opções de uma mesma marca. O consumidor confia em determinado fabricante, tem um histórico com ele, assim, vai aceitar o que for lançado. Em sua concepção, é uma escolha de adquirir um produto com poucos riscos de prejuízo”, acrescenta Dra. Carla.

O processo inconsciente no ato de consumir é mais um fator relevante nessa relação humana com o mercado. Muitas vezes, o indivíduo que precisa comprar determinado produto já tem a opção pela marca que irá levar, ainda que não saiba disso. Isso também é reflexo de uma aproximação antiga e fidelização com o fabricante, que, ao utilizar estratégias de marketing específicas ao público alvo, consegue propagar seu produto e conquistar resultados.

Segundo pesquisa do Ibope – Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística – a estimativa em 2014 era de que famílias paulistanas consumissem 6% a mais até o fim do ano – o que significa um faturamento aproximado de R$ 470 bilhões para o ano passado. Essa expectativa está diretamente ligada ao aumento no interesse por novos produtos e gastos com as opções mais caras. Principal pilar do capitalismo, a relação humana com o consumo se deve a dois aspectos principais: o fato da compra ser a materialização do poder e do ato estar relacionado à recompensa e prazer.

“O indivíduo compra porque tem necessidade de demonstrar alguma forma de poder. Portanto, ele acredita que pode se impor ao adquirir um carro caro, uma bolsa, um sapato. Outro aspecto é o prazer que sente ao consumir. As mulheres, por exemplo, consomem mais em épocas de tensão pré-menstrual, isso porque, devido à atividade hormonal, ficam mais fragilizadas e procuram por esse tipo de recompensa”.

A relação com o consumo também apresenta níveis diferentes em cada fase da vida, o que evidencia a importância das ações de marketing aplicadas corretamente. Crianças e adolescentes, por exemplo, são mais propensos a comprar por impulso. Segundo a Dra. Carla, isso se deve ao fato de que uma parte do cérebro, o córtex pré-frontal (parte responsável por auxiliar na ponderação de situações), só terminar de se desenvolver, em geral, no final da adolescência. Adultos e idosos, por sua vez, tendem a ser menos compulsivos, mas são mais propensos a consumirem em alterações de humor.

“Essa região do cérebro retém impulsos e promove um maior peso nas decisões pautadas em argumentos mais racionais. Mas isso não significa que o indivíduo adulto, já com essa área bastante desenvolvida, não tenha oscilações no funcionamento dessa região. Alterações emocionais, afetivas e hormonais podem fazer com que a pessoa consuma da mesma forma que uma criança”, finaliza a professora.

A neurociência do consumo, ou neuromarketing, é fundamental na pesquisa de comportamento do público consumidor. Embora seja pouco aplicada no Brasil, a área deve crescer nos próximos anos, e é imprescindível que as empresas estejam preparadas para, cada vez mais, estabelecer uma comunicação precisa e entender as necessidades de seus clientes.

http://franpress.com.br/neurociencia-consumo-como-entender-o-consumidor-e-melhoraratuacao-de-marketing/

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O cansaço pode matar a inovação nas empresas

São Paulo – Ao exigir de suas já enxutas equipes mais tarefas, com prazos menores e resultados financeiros maiores, as empresas estão pondo em risco a sobrevivência de seus negócios.

A atual rotina de trabalho adotada por grande parte das companhias no mundo faz com que os funcionários durmam, descansem e — perigo! — pensem menos, matando, assim, o maior diferencial que uma companhia tem hoje no mercado: sua capacidade de inovar.

Inimigo da criatividade e da memória, o cansaço afeta as funções cognitivas e a tomada de decisão, provoca mais acidentes de trabalho, abre portas para doenças e leva até a comportamentos antiéticos. E isso tudo tem um custo.

Um estudo conduzido por pesquisadores de diversas universidades americanas e europeias indica que as companhias americanas perdem 63,2 bilhões de dólares com os males da fadiga. A fórmula é simples: quanto mais cansaço, menor aprodutividade — do funcionário, da empresa e, consequentemente, do país.

A produtividade brasileira no trabalho cresceu a uma taxa anual de mísero 1% de 2000 a 2009, de acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Diversos fatores podem explicar essa estagnação na produtividade — e um deles é justamente o desgaste dos funcionários.

“Muitas organizações, pensando em maximizar os lucros, cortam as equipes e esperam que os empregados realizem as tarefas daqueles que saíram. Mas o que acontece é que a produtividade cai juntamente com os custos da folha de pagamentos”, disse em entrevista a VOCÊ RH o professor da Universidade do Sul da Flórida Paul Spector, que há anos estuda ambientes de trabalho contraproducentes.

A pressão por resultados no curto prazo faz com que as pessoas limitem seu trabalho às ordens imediatas — nada mais. Isso significa agir como zumbis e não pensar em melhorias.

Na visão do psiquiatra e consultor organizacional Frederico Porto, o aumento das demandas, a concorrência e a falta de descanso têm um impacto de longo prazo nas organizações. “A falta de trégua causa no indivíduo o mesmo efeito de uma lobotomia: ele não consegue pensar.”

A pane de ideias não se restringe a um grupo específico de profissionais, mas tende a atingir os trabalhadores mais qualificados, já que, quanto mais títulos no currículo, mais puxada promete ser a rotina de trabalho.

Uma pesquisa piloto do IBGE, que no futuro medirá nacionalmente o que os brasileiros fazem em seu tempo livre, identificou que as pessoas com até três anos de escolaridade trabalham, em média, 6 horas e 37 minutos por dia.

Para os que têm oito ou mais anos de estudo, o tempo sobe para 8 horas e 26 minutos. Executivos, gerentes e profissionais, sobretudo os que carregam um smartphone corporativo, ficam conectados ao emprego 13 horas e meia ou mais por dia, de segunda a sexta-feira.

E consomem mais 5 horas do fim de semana fazendo coisas para a companhia. No fim, revela a análise feita pelo Center for Creative Leadership (CCL), consultoria americana de desenvolvimento de liderança, trabalham 72 horas semanais — bem acima do estipulado por lei.

É tempo demais para o trabalho e de menos para todo o restante — inclusive o livre pensar. Com poucos momentos desocupado, o cérebro demora a perceber que pode reduzir a produção de cortisol (hormônio do estresse que ativa respostas do corpo ante situações de emergência e pressão), o que mantém o indivíduo em alerta.

“Quando chega a noite, em vez de desligar, a pessoa acende; demora a pegar no sono, e a qualidade desse sono é ruim”, explica Frederico Porto. Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Indiana descobriram que os adultos dormem em média 20% menos do que o aconselhado.

Como resultado, eles já chegam ao trabalho cansados, lentos e com déficit de atenção. Apesar de presentes, são tão improdutivos que é como se tivessem faltado 11 dias num ano.

De acordo com Carla Tieppo, neurocientista e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, as consequências geradas por esse ritmo insano de trabalho são ainda mais nefastas quando se espera o surgimento de novas ideias.

Carla explica que, para criar, o lado esquerdo do cérebro — responsável pela linguagem semântica — precisa “falar menos”. Esse é o lado que, ao olhar para uma caneta, por exemplo, vai associá-la ao objeto usado para escrever.

Quando alguém está focado em cumprir prazos e bater metas está usando apenas esse lado do cérebro e, portanto, só fará associações mecânicas como essa.

Nunca usará o outro hemisfério do cérebro — o linguístico —, responsável por olhar a caneta e enxergar ali um uso completamente diferente. Para isso acontecer, primeiro apessoa precisa de tempo, depois de liberdade e, por fim, de conteúdo. Três elementos difíceis de encontrar ao mesmo tempo no atual cenário corporativo.

Rotinas de produção

No passado, quando tinha dificuldade de achar os trabalhadores fora do expediente de trabalho, o chefe precisava garantir que as 8 horas da jornada fossem realmente produtivas. Agora, afirma Jennifer Deal, pesquisadora do Center for Creative Leadership e da Universidade do Sul da Califórnia, “o lado sombrio da conectividade 24 x 7 (24 horas, nos sete dias da semana) é que as pessoas estão sempre ligadas, mas nunca terminam nada”.

Em entrevista a VOCÊ RH, a pesquisadora diz que alguns profissionais não têm tempo para parar e pensar profundamente no que devem fazer. “Muitos sentem como se estivessem sempre correndo para apagar incêndios, mais do que sendo estratégicos em sua função”, ela diz.

Segundo Neuza Chaves, líder de projetos na Falconi Consultores de Resultado, uma das mais importantes consultorias de negócios do país, o que leva as pessoas a viver apagando incêndios são as “rotinas ruins”.

Isso pode estar associado a gente demais envolvida na tomada de decisão, mudança constante de direcionamento por parte dos líderes, processos malfeitos (excesso de e-mails e relatórios, reuniões desnecessárias, planejamento fraco) e computadores e sistemas lentos.

Essa morosidade emperra a produtividade e espanta os talentos da empresa. Em média, diz Neuza, apenas 17% da capacidade de um profissional é aproveitada. “É como se a empresa comprasse uma Ferrari e só usasse a primeira marcha”, diz ela.

O desperdício de inteligência e criatividade faz com que fique cada vez mais difícil uma companhia sobreviver à nova fase do capitalismo — prevista por Shoshana Zuboff, professora aposentada da Harvard Business School e conhecida como “a profeta da era da informação” desde que publicou, ainda em 1989, as oportunidades e os riscos da revolução digital.

No capitalismo de Shoshana, chamado de “A economia de apoio”, as pessoas não aceitam mais ser tratadas como objeto. Elas continuam dependendo do trabalho — e do consumo — para viver, mas almejam ser vistas como indivíduos, ser ouvidas e fazer a diferença.

A nova era já começou, mas os empregados amadureceram antes das empresas. “As companhias ainda vivem o paradigma da Revolução Industrial, época em que só interessava produzir, produzir, produzir”, afirma Odair Silva Soares, economista e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Algumas empresas já se conscientizaram de que sua rotina de produção (e não de trabalho) estava bitolando seus empregados — e afetando diretamente os negócios — e decidiram mexer em sua estrutura. Veja a seguir como exigir menos das pessoas e conseguir mais.

Melhore o jeito de trabalhar

A primeira recomendação da Falconi Consultoria é melhorar a rotina da corporação. Isso porque, quanto mais estável o ambiente, mais tranquilidade os funcionários têm para pensar. “Nossa experiência mostra que, estabilizada a rotina, surgem as melhorias e, depois, as inovações”, diz Neuza Chaves.

Para ela, uma boa rotina começa com o conhecimento técnico que os empregados têm da área. “Se alguém tem dificuldade para explicar o que faz, algo está errado”, afirma. O próximo passo é identificar o fluxo das atividades e os processos críticos. Mapeados, os procedimentos devem ser escritos; e as pessoas, treinadas.

A 3M, reconhecida mundialmente por sua capacidade de inovação, usa nas áreas de apoio (inclusive em recursos humanos) metodologias originalmente criadas para a fábrica, como a Lean Manufacturing (também chamada de Sistema Toyota de Produção) e a Six Sigma.

A primeira foca na redução dos desperdícios, enquanto a segunda busca a eliminação dos erros. Quando aplicadas no escritório, afirma o diretor de RH André Scatolin, as disciplinas fazem com que o empregado vá direto ao ponto e procure as pessoas certas, na hora certa. “É uma forma de diminuir as atividades redundantes, liberando tempo para pensarmos no que importa”, diz ele.

Uma das inovações aconteceu dentro da própria área de RH. Ao descobrir que cada subárea realizava a tarefa de um jeito, havia redundância de assinaturas e o trabalho demorava a ser finalizado, a equipe de gestão de pessoas criou um call center para receber e direcionar as demandas dos clientes internos.

Quando um gestor quer promover alguém, por exemplo, ele liga para a central de atendimento, que encaminha o pedido, seguindo processos padronizados. “O que antes o gestor levava 1 hora para resolver agora o faz em 1 minuto”, diz Scatolin. O “Fale com o RH” acabou virando referência para outras subsidiárias da 3M na América Latina.

Abra espaços

Corrigida a rotina, a corporação deve criar uma agenda sistemática de inovação, promovendo reuniões a cada 15 dias, pelo menos. “Funciona como uma academia, mas, em vez de fortalecer o físico, as pessoas exercitam a capacidade de indagar e resolver”, explica a consultora da Falconi.

É isso o que tem feito a fabricante de cosméticos Natura, que neste ano ocupou a décima posição no ranking de instituições mais inovadoras do mundo, segundo a revista Forbes. Desde dezembro de 2012, a companhia promove as Festas do Futuro, um espaço colorido e agradável onde qualquer empregado, de qualquer área ou cargo, pode comparecer e contribuir com ideias.

A festa acontece toda quinta-feira, das 9 às 13 horas, e os presentes ficam o tempo que desejar. “O participante senta-se à mesa cujo tema mais lhe interessa e todos conversam livremente. O próprio grupo define quem direcionará a discussão e quem fará o registro — a única exigência do encontro”, diz Gilson Manfio, gestor de ciências e inteligência de redes da Natura e coordenador das Festas do Futuro.

Graças a esses encontros, a Natura conseguiu lançar um xampu no mercado em apenas três meses, envolvendo exclusivamente a equipe interna. “Normalmente, isso levaria mais tempo, pois teríamos de contratar uma agência de publicidade, passar as informações, desenvolver a campanha etc.”, afirma o executivo.

Em outra festa, a Natura reuniu 115 mulheres, de 26 áreas diferentes, para discutir a linha Mamãe & Bebê: de novos produtos a inserção de campanhas, a empresa obteve mais de 120 ideias.

Além dos resultados concretos, a Festa do Futuro melhorou a interação entre os funcionários. Pessoas de diferentes áreas, que geralmente não se conectariam, passaram a interagir para a execução de projetos. “Percebemos que há uma demanda reprimida nas corporações: as pessoas querem contribuir para a inovação, mas isso geralmente fica fechado em uma área específica”, diz Manfio.

Para desmitificar o processo de geração de ideias, o laboratório Sabin, de Brasília, decidiu abrir seu Núcleo de Inovação para todos os empregados. Até cinco anos atrás, ele era restrito à produção científica, mas a diretoria rapidamente percebeu que, além de questões técnicas, a inovação abrange assuntos financeiros, gerenciais e de mercado.

Hoje, uma equipe de dez pessoas coordena o núcleo, mas os demais funcionários podem mandar sugestões por e-mail ou sistemas internos de comunicação. Ocasionalmente, são chamados a participar dos projetos. “Inovar é correr riscos. Muitas vezes o resultado não é o esperado, mas a organização precisa estar sempre discutindo esse assunto”, diz Sandra Costa, sócia e diretora técnica do laboratório.

Para ela, o segredo é entender que a inovação não tem necessariamente de gerar algo revolucionário. Pode apenas significar uma nova maneira de trabalhar. Por exemplo, em vez de realizar treinamentos presenciais para as equipes nos seis estados onde o laboratório está presente, o Núcleo de Inovação sugeriu aulas virtuais. A ferramenta de e-learning já conta com 25 000 horas de conteúdo, disponível para os 1 200 empregados do Sabin.

A solução gerou uma economia de 300 000 reais apenas no custo de deslocamento que a empresa teria caso levasse o treinamento para cada um dos estados. Também como fruto do Núcleo de Inovação, o Sabin criou um aplicativo que possibilita aos pacientes visualizar os resultados de seus exames pelo celular ou tablet.

Com o AppSabin, o laboratório reduziu o uso de papel, diminuiu o número de clientes nos balcões de atendimento e agilizou o atendimento aos pacientes. Hoje, 43% dos laudos são retirados pela internet — uma economia de mais de 500 000 reais por ano.

Invista no espaço físico

Além da abertura para os indivíduos exporem suas ideias, as companhias devem trabalhar seus espaços físicos — e aí é preciso tomar muito cuidado para separar o que não passa de um lugar moderno daquele que é realmente eficiente.

Não adianta apenas derrubar divisórias e aproximar equipes sem ter uma planta adequada e um propósito de trabalho. Um estudo publicado no Jornal Escandinavo de Trabalho, Ambiente e Saúde mostra que os funcionários alojados em escritórios abertos ficam, em média, 62% mais doentes do que os instalados em salas individuais.

Isso porque os vírus e as bactérias se espalham facilmente nesses lugares, e a falta de privacidade, o barulho e a temperatura elevam o nível de estresse dos indivíduos — contribuindo para as doenças. As conversas constantes distraem os trabalhadores, baixando a motivação e impactando na produtividade. “Toda vez que alguém é interrompido, a mente demora 64 segundos para retomar a atividade”, diz o psiquiatra Frederico Porto.

Dificilmente as empresas retornarão ao layout fechado, mas é importante oferecer opções para quem precisa se concentrar. No escritório do Google em São Paulo, por exemplo, além de salinhas individuais, os empregados podem se retirar para a varanda, na cobertura, sentar numa das espreguiçadeiras e produzir tranquilos.

Outra opção, incentivada na Semco, fabricante de máquinas industriais, é que os funcionários fiquem em casa quando precisam de silêncio. “Os ambientes funcionam como metáfora e mostram às pessoas como elas devem se comportar”, diz Neuza Chaves, consultora da Falconi. Uma decoração colorida deixa claro que a corporação quer as pessoas alegres, livres para conversar e parar para um cafezinho — onde nascem muitas ideias. O Google é mestre (e referência) nisso.

Inspire a liderança

Não adianta nada mexer no layout do escritório e melhorar as rotinas de trabalho se os líderes continuam tratando seus funcionários como máquinas de cumprir prazos e bater metas. É deles a responsabilidade de gerar confiança e oferecer autonomia para que os profissionais se sintam livres para expor suas opiniões e ideias.

Ícone de um estilo de gestão de vanguarda, a Semco se apoiou nos principais líderes para disseminar sua preocupação com inovação. Quando ninguém falava sobre isso, em 1984, Ricardo Semler, então superintendente da empresa, eliminou o vigia dos relógios de ponto, a revista dos funcionários e o controle de qualidade. Ele estabeleceu um contrato de confiança e deu, assim, espaço e liberdade para as pessoas criarem. “O básico é você dar responsabilidade para o funcionário, fazer com que ele se sinta parte importante do negócio, independentemente se é do setor de limpeza ou da contabilidade, um operário ou um diretor”, diz José Alignane, presidente da unidade de equipamentos industriais e de equipamentos de refrigeração da Semco.

Essa responsabilidade faz com que o time entenda que um parafuso errado pode causar um acidente lá na ponta. Para garantir esse senso de importância, todos na Semco são tratados da mesma forma, sentam em mesas do mesmo tamanho e concorrem igualmente no sorteio da melhor vaga do estacionamento — antigamente destinada ao presidente.

Mensalmente, os presidentes mostram ao time os dados financeiros da companhia. E, até hoje, qualquer um, do diretor ao operador de máquina, consegue negociar com o chefe e chegar mais cedo ou mais tarde ao trabalho, conforme a necessidade. “Tudo é baseado na confiança, e isso reflete na produtividade”, diz Rodrigo Oliveira, presidente da unidade de soluções em agitação da Semco.

Para garantir a inovação, dizem os dois presidentes, os executivos precisam realmente querer que a companhia funcione de forma mais justa, distribuindo responsabilidades e confiando nas pessoas. Do contrário, seus funcionários serão meros cumpridores de deveres; e sua companhia, uma máquina de produzir zumbis — e desperdiçar dinheiro.

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Neurociência, nova aliada do RH

Especialista afirma que empresas podem aumentar motivação dos colaboradores

Cada vez mais forte, a aplicação da neurociência no departamento de recursos humanos das companhias pode trazer benefícios.Entre eles, a maior aderência do colaborador à empresa e o aumento de produtividade, de acordo com Carla Tieppo, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e pesquisadora da área. Ela comenta que a motivação dos colaboradores também é realizada pela psicologia organizacional, porém a neurociência oferece ainda mais ferramentas para potencializar o desempenho nas atividades do trabalho. “Hoje em dia há uma tendência crescente de que o salário e os benefícios não são mais suficientes para reter os profissionais. Não existe função racional sem base emocional, ninguém é pura razão”, afirma.

A especialista conta que a neurociência permite que a companhia tenha as ferramentas necessárias para acessar esses indivíduos, analisando-os emocionalmente, conhecendo seu ritmo e descobrindo como treiná-los, fatores que serão extremamente importantes nos próximos anos. “As empresas vão precisar incorporar novas práticas nos seus departamentos de recursos humanos e uma das ferramentas que tem muito a acrescentar é a neurociência”, esclarece.

A professora explica ainda que a principal mudança deve ocorrer na relação entre a organização e o funcionário. “O colaborador deve perceber que a companhia está preocupada com ele e que é visto como uma pessoa que tem particularidades. Isso significa proporcionar melhores condições de trabalho, flexibilidade de horário, personalização dos benefícios, entre outras ações”, diz. Para Carla, a geração que está ingressando no mercado deseja encontrar o trabalho que a faça feliz, não pensando somente no dinheiro. “São pessoas que nasceram no mundo digital e o objetivo delas é encontrar a felicidade. Elas querem ser absorvidas pela sociedade da forma que são. Assim, a empresa tem de criar um ambiente sedutor para esses novos profissionais”, fala.

http://abrhba.org.br/noticia/neurociencia-nova-aliada-do-rh

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Pela conservação da energia vital e pelo desenvolvimento da inteligência social

Por que as pessoas têm tanta dificuldade de usar adequadamente as faixas de pedestres? Será que a lógica que está por trás das regras de utilização não é suficientemente clara?Eu sou do tipo que paro para pedestres atravessarem. E não é por medo da multa. Eu paro porque é melhor parar. Um pedestre andando gasta muito mais energia vital do que eu sentada no meu carro. Sei disso porque sou pedestre muitas vezes também. É duro perder o ritmo da caminhada e ter de parar, olhar se está vindo carro, decidir se vou ou não,se dá tempo ou não. Quanta energia vital despendida! Seria melhor ligar meu piloto automático de pedestre e atravessar nas faixas sem pensar e só parar quando houvesse semáforo de pedestre no vermelho. Regra bem mais simples do que olhar, decidir, correr, parar, apressar o passo, olhar para o motorista, arriscar-se, etc. E para o motorista? Muito mais fácil também: tem faixa no chão? Verifique se há pedestres e pare. Não tem? Passe. Essas regras preservam a parte mais frágil do sistema: o pedestre.

O cérebro trabalha muito bem com esse conjunto de estímulos e respostas bem definidos.Dessa forma, a consciência pode cuidar de outras coisas enquanto os sistemas subconscientes executam tarefas automatizadas. Códigos pré-definidos permitem que a atividade mais nobre do sistema não se ocupe comtarefas corriqueiras.

É exatamente por essa razão que os processos de uma empresa são considerados peças fundamentais do desenvolvimento e da capacidade produtiva dessa companhia. Pessoas que têm respostas claras a estímulos específicos podem gastar energia com aquilo que realmente merece ser elaborado por processos cognitivos diferenciados. Inovação e criatividade dependem disso. Alta performance também.Elaborar processos novos mais eficientes, idem

Quando sou pedestre e posso andar despreocupada, confiando em motoristas bem treinados, gasto o tempo da caminhada pensando em coisas nobres. Quando sou motorista, tenho ações automatizadas e reservominha atenção e energia para aquilo que realmente podeme surpreender. Se hipoteticamente considerarmos que toda a humanidade dispõe de umamesma quantidade de energia vital para gastar, vale a pena pensar em como poderíamos conservar essa energia. Podemos chamá-la de inteligência social. A evolução humana dependeu muito disto: estabelecer tarefas claras dentro de um grupo social para que a eficiência e eficácia do grupo pudessem ser dramaticamente melhoradas

Do que depende o desenvolvimento dessa inteligência social? Um dostrabalhos mais complexos e maisimportantes para atingir esse objetivo é o desenvolvimento de métodos para preservação de energia vital de uma equipe. Saber claramente qual é o seu papel na engrenagem que fará todos atingirem o objetivo comum é importante, mas não é suficiente. Também é preciso que se saiba como facilitar as coisas para que a energia vital de outras pessoasseja conservada. O resultado é surpreendente.Asoma das energias conservadas produz o sucesso de todos. Foi essa fórmula simples que nos trouxe da savana até aqui.

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6 achados da neurociência que são úteis para a carreira

Os cientistas que tentam desenvolver soluções para prevenir ou curar doenças degenerativas não são os únicos a usufruir das descobertas da neurociência. Começa a ganhar corpo no Brasil o chamado neurocoaching, prática que alia as técnicas de coaching com o estudo de como o cérebro funciona.

Segundo este novo conceito, a lógica de trabalho do nosso sistema nervoso pode influenciar muitas de nossas atitudes e entendê-la pode ser útil para o desenvolvimento pessoal e profissional. A importância do treino, os mecanismos que levam ao stress e até a necessidade de ter boas noites de sono são algumas das pontes possíveis que a neurociência pode fazer com sua carreira.

Confira algumas delas, segundo Carla Tieppo, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e pesquisadora na área de neurociências.

1 Durma Passar dias e noites insones para tirar um projeto do papel ou cumprir um prazo, além de cansativo, pode prejudicar seu desempenho. Dormir, segundo a especialista, aumenta a capacidade de memorização, atenção e concentração. Para os dois últimos itens, a razão é simples: o cérebro precisa de energia e o sono é o melhor meio para recuperá-la. “A vigília só pode ser mantida se o sono estiver em dia”, afirma Carla. Quem dedica 8 horas do dia ao sono, experimenta entre cinco e seis episódios do chamado sono R.E.M. “São nestes períodos que as memórias e aprendizados são consolidados”, diz a neurocientista. “Quanto menos sono, menos tempo mergulhado neste sono”. Resultado? Menos capacidade de memorização e, segundo a especialista, condições para aprender. A regra é válida até para quem afirma se sentir revigorado mesmo após poucas horas de sono. “Quem dorme entre quatro e cinco horas têm mais chances de desenvolver quadros de stress e doenças cardiovasculares”, afirma.

2 Não descarte as emoções Engana-se quem pensa que, na hora de decisões profissionais, o que você sente deve ser colocado de escanteio. De acordo com a especialista, quando bem gerenciadas, as emoções podem ser guias valiosos para as escolhas. “As experiências de uma pessoa são traduzidas em sinais emocionais que se acumulam”, diz Carla. “Um animal que foi quase atacado por um predador quando estava na beira de um lago, não irá se lembrar do episódio quando retornar ao local, mesmo assim, ele não vai querer ficar ali”, exemplifica. É a isso que a sabedoria popular chama de intuição. E apesar do tom abstrato (e até fantasioso) que este termo pode ter, a intuição nada mais é do que o aprendizado que tivemos no passado traduzido em “marcações emocionais”. “Saber ler suas emoções faz com que elas não tomem conta de você. Faz com que você as transforme em algo que pode ser manipulado pela razão”. E, portanto, um dado útil para a hora de tomar decisões.

3 Desenvolva (bons) hábitos A excelência em suas atividades profissionais só será conquistada se você treinar. “Ela não vem por um passe de mágica”, diz a especialista. “Você só vai ser disciplinado se todo dia de manhã se comprometer com a disciplina”. E não adianta teimar na história de que você nasceu assim e será sempre assim. “O conceito de neuroplasticidade mostra que todo mundo pode se modificar”, afirma Carla. “Tudo é possível, basta que você crie o hábito”. Segundo a especialista, para “economizar” energia, o sistema nervoso possui alguns sistemas automatizados. Esta reação automática é o seu hábito. Para explicar o conceito, Carla compara um novato na cozinha e alguém que já está acostumado a cozinhar. De acordo com ela, o segundo irá gastar menos energia do que o primeiro. Motivo? “Ele já tem tudo automatizado”, diz. Por isso, não basta apenas recitar palavras positivas (que até podem ter, segundo especialista, um efeito de motivação importante). É preciso praticar, treinar, se comprometer com a formação do seu novo hábito.

4 Ame o seu trabalho (ou crie um sistema de recompensas) Os autores de autoajuda estão certos quando sugerem que pessoas bem sucedidas são apaixonadas pelo próprio trabalho. “A motivação é a base emocional que provoca o comportamento”, diz. “O aumento da dopamina faz com que seu sistema seja guiado para a ação”, diz. Agora, se a paixão pelo trabalho não faz parte da sua história profissional, a dica da especialista é retardar a sua recompensa. Projete para o futuro algo que motiva você e que depende do que você vive hoje para ser realizado.

5 Estabeleça metas possíveis Todo mundo, em medidas diferentes, tem problemas e desafios. Quando conseguem encará-los e solucioná-los, “estas pessoas se tornam heróis das próprias vidas. Elas chegam em casa cansados mas recompensados”, descreve Carla. O problema está quando o desafio é maior do que sua capacidade de suportá- lo. A crise é ter problemas e não conseguir sair deles. É ser incapaz de, naquele momento, se adaptar às situações. Nestas circunstâncias, o stress é a reação óbvia do organismo. “Quando um predador está por perto, o animal que sobrevive é o que consegue fugir ou lutar. Por isso, o sistema nervoso desenvolve esta resposta para que mais sangue seja direcionado para seus músculos e cérebro, para estimular seu corpo a responder àquela situação”, diz. A dica é negociar metas possíveis diante do seu contexto de trabalho.

6 Pratique exercícios físicos “Os exercícios físicos desafiam seu corpo, estimulam a recuperação (você sente fome e sono). Eles ajudam até a aumentar a sua capacidade cognitiva porque elevam o suprimento sanguíneo para o cérebro”, enumera a especialista. “Cada vez que você faz uma atividade física é como se você sinalizasse para o seu corpo que você está, que você dá conta dos próprios desafios”.

 

http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/6-achados-da-neurociencia-que-sao-uteis-para-a-carreira

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