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Diversidade corporativa como trampolim da inovação

Sim, a diversidade pode fazer muito mais do que você imagina pela sua empresa

Acredite: nenhuma empresa sobreviverá às transformações do mercado atual se não cultivar uma equipe diversa. A diversidade é um trampolim para a inovação. É a força propulsora para o desenvolvimento de produtos e serviços inovadores e aumento da lucratividade nas organizações contemporâneas. Mas, para crescer com a inovação, é preciso saltar mais alto e entender que “diversidade” é muito mais do que gênero ou cor da pele. É preciso ir além e valorizar as diferenças do ser humano em toda a sua complexidade. E saltar nesse trampolim exige coragem!

Preparando o salto: diversidade em amplo sentido

A maioria das pessoas quando aborda diversidade, pensa em questões externas como gênero e etnia, que são muito importantes, mas não suficientes. Para começar, é preciso ampliar a definição do termo e entender que diversidade nos quadros internos de uma organização implica em incluir pessoas de diversas origens, culturas, crenças, graus de escolaridade, com diferentes experiências, graus de introversão e extroversão, formas de pensar e agir, mentalidades e ainda com diferentes potenciais, limitações e deficiências. Só é possível entender os problemas da sociedade, suas necessidades e desenvolver produtos e serviços mais adequados para ela se a empresa, em seu público interno, conseguir representar a variedade da população. Com esse olhar, é possível saltar mais longe, inovar com públicos e produtos diferentes e obter mais lucro.

O start da inovação

Os processos de recrutamento e seleção de uma organização são cruciais para a mudança. Se você seleciona pessoas sempre das mesmas “melhores escolas”, com histórias de vida parecidas, com o mesmo perfil, aparência física similar e acha que assim conseguirá os melhores resultados, pode esquecer essa ideia. Dessa forma, você terá sempre as mesmas respostas. Buscar pessoas que pensam, criam e interagem de formas diferentes é fundamental. Mas saiba que, definitivamente, não é fácil. Nosso cérebro tende a favorecer pessoas parecidas com a gente e, num processo de seleção, é fácil o recrutador – mesmo experiente – incorrer no erro de inconscientemente favorecer alguém que combina com seu estilo de ser ou com o que ele acha que “combina com a organização”. Isso ocorre porque todos nós estamos sujeitos a vieses inconscientes no processo de tomada de decisão.

Favorecer a diferença

Pensar num quadro diverso de funcionários é algo bastante complexo, requer o estabelecimento e acompanhamento de metas de diversidade, exige tirar palavras sexistas das descrições de vaga como, por exemplo, “perfil competitivo”, que afasta mulheres, requer desenvolver novos processos de seleção, treinar recrutadores e líderes, fazer um teste na função em vez de olhar a universidade que a pessoa estudou. Pensar em um quadro diverso precisa incluir ações tanto de valorização das mulheres e negros em posições de liderança e a equiparação salarial para os diferentes gêneros, quanto pensar de forma mais profunda nas potencialidades das diferenças, como eleger autistas para trabalhos com dados onde eles se saem muito acima da média; portadores de transtornos de déficit de atenção para cargos que envolvam criatividade; pessoas com baixo grau de escolaridade no desenvolvimento de produtos, entre outras ações.

Oportunidades de verdade

Outro fato a ser levado em conta é que não basta incluir a diversidade no quadro de funcionários, mas é preciso distribuir as tarefas e oportunidades de maneira justa, passando bons projetos para todos, dando oportunidades de crescimento, decisão e liderança iguais para todos. Um estudo de Joan Willians e Marina Multhaup, da Universidade da Califórnia, mostra que as mulheres realizam muito mais tarefas domésticas dentro das empresas – como servir café, lavar xícaras, varrer – do que os homens e também mais tarefas estruturais, burocráticas, aquelas que têm menos glamour e menos possibilidade de crescimento profissional. Os melhores projetos são passados para os homens, e brancos. Já Cassandra Guarino, da Universidade de Riverside, e Victor Borden, da Universidade de Indiana, descobriram que professoras fazem mais atividades burocráticas e menos pesquisas nas universidades do que professores, ou seja, a “nata” do trabalho é direcionada para os homens.

Diversidade gera lucro

A pesquisadora Rócio Lorenzo, conselheira de executivos sênior para crescimento nos negócios, detectou em sua pesquisa, feita em 171 empresas na Alemanha, Áustria e Suíça, que empresas com diversidade são mais inovadoras e têm mais renda gerada por produtos de inovação. Segundo ela, diversidade gera inovação e inovação gera diversidade. O estudo aponta ainda que empresas que têm mais de 20% dos cargos de liderança ocupados por mulheres têm uma mudança bastante significativa em termos da renda proveniente da inovação e lucratividade dos produtos, saindo bem na frente de empresas que não têm a mesma diversidade.

Benefícios da diversidade

Trabalhar a diversidade corporativa também contribui para um ambiente de trabalho mais colaborativo e estimulante, em que os funcionários se sentem mais motivados, acolhidos, valorizados em seus pontos fortes e isso tem estreito vínculo com o resultado da empresa. Em organizações em que há a disseminação do respeito à diversidade na cultura organizacional, os conflitos são menos recorrentes. Não que não haja ideias divergentes, elas são bastante divergentes e essa é a estratégia para potencializar a inovação, mas as pessoas aprendem a lidar com as diferenças e a enxergá-las de forma agregadora e não contrapositora, o que desenvolve uma política de respeito e tolerância, maior capacidade de escuta e da busca de acordos. Empresas que acolhem bem a diversidade também têm menor taxa de rotatividade de funcionários e maior engajamento, isso porque ambientes intolerantes e cheios de rivalidade promovem aumento de desligamentos. Por fim, vale ressaltar que ambientes com diversidade são palco certo para o espetáculo da criatividade humana. Funcionários e colaboradores acolhidos, com segurança psicológica e liberdade de expressão: esse é o terreno mais fértil para a inovação.

Diversidade pra já

Em uma sociedade com tamanha variedade como a nossa, esse remix de culturas, é importante que as organizações desenvolvam sérias estratégias para contemplar as diferenças e proporcionar oportunidades para todos. E começar é pra já! Não dá pra esperar. Um pequeno passo pode fazer uma imensa diferença. E vale ressaltar que falar em diversidade é importante não apenas pensando em melhorar a sociedade, em termos de proporcionar uma convivência mais justa e igualitária, mas também como uma forma de gerar inovação, resultado e lucratividade para a empresa. A organização que quer continuar crescendo precisa diversificar pessoas, produtos e mercados. A diversidade no quadro de funcionários pode mesmo ser o trampolim que a sua empresa precisa para inovar e saltar mais alto!

ABOUT THE AUTHOR

É doutora em Neurociência e pioneira na aplicação da ciência do cérebro em palestras, cursos e consultorias para diferentes segmentos empresariais. Há 20 anos é professora e pesquisadora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo onde ministra aulas de graduação e pós-graduação sobre o funcionamento do sistema nervoso e suas relações com a mente e o comportamento humano. É também professora da PUC-SP onde assume na graduação a missão de promover conhecimentos de Neurociência para os alunos da Psicologia.

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