You are Here Home|Corporativo|O poder do vínculo na construção de times fortes

Blog

O poder do vínculo na construção de times fortes

Contribuições da neurociência para as organizações

 

Você sabia que quando nos sentimos rejeitados ou deslocados no nosso grupo de colegas de trabalho, ou quando nos sentimos desvalorizados, ativamos no cérebro as mesmas áreas cerebrais que quando sentimos uma dor física? Os seres humanos são seres sociais, que vivem em grupo e necessitam dele para sua sobrevivência e bem-estar. Por isso, sentir-se aceito e valorizado dentro de um grupo é extremamente importante para que um indivíduo sinta segurança, possa desenvolver seu máximo potencial e atuar com todas as suas habilidades. No ambiente corporativo, fortalecer os vínculos entre os integrantes de uma equipe é fundamental para a construção de times mais fortes e com bons resultados. E a neurociência vem demonstrando isso com muito mais clareza nos últimos anos.

 

Segurança social

De acordo com o neurocientista Matthew Lieberman, professor do Laboratório de Neurociências Cognitivas Sociais da Universidade da Califórnia, se você é um mamífero – e todos nós seres humanos somos – mais importante do que ter suas necessidades básicas sanadas – como fome, sede, reprodução – é ter suas necessidades sociais sanadas. Uma das evidências destacadas por ele sobre esse fato é que os mamíferos nascem incapazes de cuidarem de si mesmos, necessitando do elo social para sobreviverem. Segundo Lieberman, nossa necessidade de nos conectarmos – e também a dor que sentimos quando essa necessidade é frustrada – é uma das coisas mais importantes para manter o nosso cérebro motivado, seja para trabalhar ou se divertir.

 

Liderança e conexão

Lieberman afirma que alguém pode ter a melhor ideia do mundo, mas se não puder se conectar com outras pessoas ela não levará a nada. Diz ainda que temos uma capacidade única de “ler a mente” das pessoas e imaginar seus desejos, medos e motivações e que isso nos permite coordenar nossa vida com a dos outros, sabendo como interagir melhor. O neurocientista afirma que uma liderança com uma mente mais analítica que tenha foco apenas nos resultados tem chances muito pequenas de ser considerado um grande líder, mas se tiver habilidades sociais suas chances aumentam exponencialmente. O pesquisador ressalta, quando realmente nos conectamos uns aos outros em uma equipe, cada indivíduo trabalha de forma a complementar as forças e fraquezas dos outros membros. E é isso que torna uma equipe realmente potente.

 

A força do elogio

Levando em conta essa influência das relações sociais no trabalho, a pesquisadora Judith E. Glaser, antropóloga organizacional e autora do livro Conversational Intelligence, ressalta a importância da comunicação no ambiente corporativo e o papel essencial do elogio nesse contexto. Segundo ela, a maioria dos líderes não percebe que a punição e o constrangimento são uma estratégia ultrapassada e equivocada para conseguir bons resultados dos funcionários. Glaser afirma que líderes são muito mais inspiradores quando compreendem a neuroquímica da motivação e percebem como o elogio honesto e merecido pode desencadear reações em todo o cérebro. Ao banhar o cérebro com dopamina, causa-se uma euforia – quase como a da atuação de uma droga – e provoca-se uma motivação intrínseca, que leva o funcionário a buscar caminhos para desenvolver novas habilidades e talentos para contribuir com o grupo. O elogio desencadeia neurotransmissores que afetam a autoconfiança e, quando liberados, dão ao cérebro a capacidade de sustentar projetos mesmo sob estresse, maior capacidade de atenção nas tarefas e mais disposição para permanecer em um projeto por mais tempo em busca de resultado.

 

O poder da comemoração

Outra forma potente de contribuir para a união de um time e para o crescimento do vínculo entre eles, de acordo com a neurocientista e professora da Santa Casa de São Paulo, Carla Tieppo, é a celebração. “Já parou para pensar quando foi que deixamos de celebrar a vida e as conquistas? Quando paramos de refletir sobre nossos aprendizados e recarregar nossas energias internas antes de iniciar novos projetos?”, questiona a neurocientista. “Este cenário não é favorável para ninguém, justamente porque não é favorável para o funcionamento do nosso cérebro. Se fossemos capazes de produzir indefinidamente, talvez esse pudesse até ser um bom modelo para as empresas. Mas vivendo desta forma ficamos esgotados, perdemos nossa potência”, explica ela. Segundo a neurocientista, a celebração das conquistas é a pausa necessária para recarregar as baterias, além de promover a interação, o reconhecimento mútuo, a motivação para continuar e o estreitamento do vínculo entre os indivíduos de uma equipe.

 

Em suma, quer ter um time forte e eficiente? Fortaleça o vínculo entre seus integrantes! Faça com que os indivíduos se sintam seguros e acolhidos para que possam expressar todo seu potencial, elogie sinceramente para que eles possam saber onde acertaram e comemore as conquistas, para renovar as energias, para que se mantenham motivados e com senso de pertença. O vínculo é uma potência!

ABOUT THE AUTHOR

É doutora em Neurociência e pioneira na aplicação da ciência do cérebro em palestras, cursos e consultorias para diferentes segmentos empresariais. Há 20 anos é professora e pesquisadora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo onde ministra aulas de graduação e pós-graduação sobre o funcionamento do sistema nervoso e suas relações com a mente e o comportamento humano. É também professora da PUC-SP onde assume na graduação a missão de promover conhecimentos de Neurociência para os alunos da Psicologia.

LEAVE A COMMENT