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Seis passos para reconectar seu cérebro (e dominar tudo)

Você pode ensinar novos truques a um velho cérebro, mas é preciso mais do que um simples movimento de uma varinha mágica de neuroplasticidade dizendo “reconecte meu cérebro”.

A plasticidade cerebral engloba um número de mecanismos neurobiológicos pelos quais nossos cérebros e mentes humanas aprendem, mudam e dominam novas habilidades.

A capacidade da plasticidade do cérebro varia ao longo da vida. Durante a infância e adolescência, o interruptor da neuroplasticidade é ligado, e no cérebro adulto vários freios moleculares e fisiológicos agem para desligar a plasticidade, mas não totalmente.

O cérebro mais velho ainda é plástico e permanece assim até o fim da vida. Nós podemos aprender, mudar e dominar novas habilidades como adultos. Nós todos somos capazes de aprender a falar um novo idioma em qualquer idade, mas nós não vamos aprender tão facilmente quanto se tivéssemos aprendido isso antes de entrar na escola.

Se o cérebro de um bebê experimenta “plasticidade para tudo”, em que qualquer experiência molda e muda circuitos neurais, então a plasticidade adulta ocorre apenas sob circunstâncias particulares.

Quando a plasticidade adulta acontece?

Se você já ficou maravilhado com as excelentes habilidades dos mergulhadores olímpicos, ginastas, jogadores de basquete ou qualquer outro atleta de elite, você sabe que eles parecem naturais e sem esforço (com capacidades super-humanas que podem parecer tão distantes das nossas). Muitas vezes não é difícil atribuir a performance deles ao talento inato ou a bons genes: eles são dotados, atletas naturais que nasceram com isso.

Mas acontece que existe muito mais da maestria do que do talento inato. O desempenho excepcional implícito é a capacidade de explorar a neuroplasticidade adulta.

Pratica leva à perfeição por causa da plasticidade

Se pudéssemos levantar a tampa da cabeça e espiar os cérebros de virtuosos violinistas, cirurgiões, pilotos de caça, campeões de xadrez, tenistas vitoriosos, ou grandes nomes da literatura e da arte, nós poderíamos ver que o excepcional desempenho (disfarçado de talento), é adquirido durante aproximadamente dez anos (ou 10.000 horas) de prática.

E essa prática não é o que muitos de nós pensamos ser treinamento. Não é um simples treinamento de movimentos de golfe ou tocar um instrumento musical algumas vezes na semana. Essa prática é uma atividade altamente estruturada em que você se envolve com um objetivo específico de melhorar sua performance. Isso envolve repetir um comportamento várias vezes, esforçando-se constantemente para melhorar sua performance, usando o feedback do treinador ou de um mentor.

Prática não é o suficiente

Existem alguns passos a mais para o domínio e a religação do cérebro do que apenas prática: motivação, emoções positivas e visualização do objetivo, todos desempenham um papel. A capacidade inata do cérebro adulto para a neuroplasticidade na idade adulta pode ser aproveitada quando condições específicas que permitem ou desencadeiam a plasticidade são satisfeitas. Estes são incluídos quando a mudança é considerada importante, recompensadores ou cruciais para sobrevivência.

Devemos notar que qualquer mudança precisa ser construída em uma base de boa saúde cerebral. Abaixo estão seis passos que permitirão você explorar sua capacidade de plasticidade e domínio, no cérebro adulto:

Razões: Encontre seu porquê

  • Qual é seu objetivo? Qual habilidade, comportamento ou mentalidade que você quer aprender, mudar, dominar ou aperfeiçoar?
  • Ter clareza em torno do seu objetivo gera confiança, motivação e excitação ao invés de medo e incerteza;
  • Saber qual é o seu objetivo permite estabelecer “metas mínimas”;
  • Essas metas mínimas te preparam para algumas vitórias fáceis iniciais. Vitórias fáceis que fecham um ciclo de feedback e disparam os caminhos de recompensa da dopamina no cérebro. Recompensa aumenta o aprendizado e ativa motivação;

Envolvimento: Absorva-se em aprender a tarefa. Tenha feedback dos melhores

  • Foque em aprender uma nova habilidade;
  • Determinação em uma tarefa é vital (multitarefa leva ao esgotamento cognitivo);
  • Tenha um professor, treinador ou guia para te fornecer um feedback;
  • Um aviso para professores, treinadores ou guias: você deve agir como um recurso e não como um microempresário do processo. Motivação vem da autonomia e do domínio. Nós todos respondemos a recompensas internas e não externas;

Encontre o ponto principal entre o tédio e o medo

  • Encontre seu fluxo. Do ponto leve ao moderado de ativação, o cérebro está em ótimo estado para aprender. Em níveis muito baixos ou muito altos de estimulação, a aprendizagem é inibida. Nós vemos isso em todos os níveis neurobiológicos desde a sinapse até o comportamento;
  • Tédio é um sintoma de subexcitação – talvez a nova tarefa não esteja testando você. Tente preparar um objetivo maior, mudar alguns pontos do objetivo ou mudar o ambiente em que você está treinando;
  • Medo é um sintoma de excesso de excitação – talvez a tarefa esteja muito difícil. Isso supera seu nível de habilidade? Talvez você não tenha “mirado” seu desafio em partes ou projetos viáveis;

Imagine: ensaie em sua mente

  • Pensar e fazer estão no mesmo cérebro. As mesmas áreas do cérebro são ativadas quando você completa uma atividade motora e quando você ensaia mentalmente a mesma tarefa;
  • Músicos e atletas comumente usam ensaio ou visualização mental para ajudar a ativar o domínio;
  • Você pode ensaiar mentalmente como você vai responder emocionalmente a um evento. Tente ensaiar como você vai responder emocionalmente se você acertar um obstáculo ou falhar;
  • O ensaio mental pode ser pensado como prática quando você não consegue praticar

Repita: prática torna-se perfeita devido à neuroplasticidade

  • Pratique (pratique e pratique) sua nova habilidade, comportamento e mentalidade;
  • Neurônios que “acendem” juntos, ficam ligados. Neurônios que estão fora de sincronia falham ao se conectar;
  • Prática supera o talento. O gênio não nasce gênio. Em vez disso, ele constrói sua capacidade de dominar o que quer fazer;
  • É aqui que a determinação entra. Detalhe, a prática nem sempre é divertida.

Ampliar: mudar requer que você se mova para fora da sua zona de conforto

  • Repetir a mesma tarefa várias vezes não é o suficiente para melhorar. Você deve praticar no limite da sua capacidade;
  • Amadores praticam até fazerem tudo corretamente. Profissionais praticam até que não possam errar. 

    Com informações do site yourbrainhealth.com.au/refire-6-steps-to-rewire-your-brain-and-master-anything/

ABOUT THE AUTHOR

É doutora em Neurociência e pioneira na aplicação da ciência do cérebro em palestras, cursos e consultorias para diferentes segmentos empresariais. Há 20 anos é professora e pesquisadora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo onde ministra aulas de graduação e pós-graduação sobre o funcionamento do sistema nervoso e suas relações com a mente e o comportamento humano. É também professora da PUC-SP onde assume na graduação a missão de promover conhecimentos de Neurociência para os alunos da Psicologia.

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